Dinâmica para a lição 3, A importância da sabedoria humilde
Jovens e Adultos: Fé e Obras – Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica
Lição 03: A Importância da Sabedoria Humilde
Professoras e professores, observem estas orientações:
1 – Antes de abordar o tema da aula, é interessante que vocês mantenham uma conversa informal e rápida com os alunos:
- Cumprimentem os alunos.
- Perguntem como passaram a semana.
- Escutem atentamente o que eles falam.
- Observem se há alguém necessitando de uma conversa e/ou oração.
- Verifiquem se há alunos novatos e/ou visitantes e apresentem cada um.
2 – Este momento não é uma mera formalidade, mas uma necessidade. Ao escutá-los, vocês estão criando vínculo com os alunos, eles entendem que vocês também se importam com eles.
3 – Após a chamada, solicitem ao secretário da classe a relação dos alunos ausentes e procurem manter contato com eles durante a semana, através de telefone ou email.
Os alunos se sentirão queridos, cuidados, perceberão que vocês sentem falta deles. Dessa forma, vocês estarão estabelecendo vínculos afetivos com seus alunos.
4 – Escolham um momento da aula, para mencionar os nomes dos alunos aniversariantes, parabenizando-os, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo.
5 – Fazendo o que foi exposto acima, somando-se a um professor motivado, associada a uma boa preparação de aula, com participação dos alunos, vocês terão bons resultados! Experimentem!
6 - Agora, iniciem o estudo da lição. Observem as seguintes sugestões:
- Falem que nesta aula, o tema a ser estudado será sobre o tipo de sabedoria que devemos pedir a Deus.
- Iniciem o estudo do tema através da dinâmica “Quer Sabedoria?”
- Depois, escrevam no quadro: Sabedoria Divina e Sabedoria Humana.
Reflitam com os alunos sobre a diferença entre elas, como se consegue cada uma e quais atitudes são geradas por estes tipos de sabedoria.
Enfatizem a importância da sabedoria que vem de Deus no aspecto espiritual, sentimental, emocional e relacional.
- Depois, trabalhem os demais conteúdos da lição sempre de forma participativa e contextualizada. Dessa forma, a aprendizagem será mais significativa.
Tenham uma excelente e produtiva aula!
Dinâmica: Quer Sabedoria?
Objetivo: Iniciar o estudo sobre a sabedoria que vem do alto.
Material:
01 caixa
Nome SABEDORIA digitado
Envelopes pequenos(quantidade depende do número de alunos)
Papel pequeno com o versículo de Tg 3. 17 digitado(01 para cada envelope)
01 pincel atômico ou um marcador para quadro branco
01 cartolina ou um quadro branco
Organizar o material da seguinte forma:
Colar o nome SABEDORIA fora da caixa, que fique bem visível
Colocar o versículo de Tg 3.17 dentro de cada envelope
Colocar os envelopes dentro da caixa
Procedimento:
- Comecem lendo I Reis 3. 9 a 12:
“A teu servo, pois, dá um coração entendido para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; porque quem poderia julgar a este teu tão grande povo?
E esta palavra pareceu boa aos olhos do Senhor, de que Salomão pedisse isso.
E disse-lhe Deus: Porquanto pediste isso, e não pediste para ti muitos dias, nem pediste para ti riquezas, nem pediste a vida de teus inimigos; mas pediste para ti entendimento, para discernires o que é justo;
Eis que fiz segundo as tuas palavras; eis que te dei um coração tão sábio e entendido, que antes de ti igual não houve, e depois de ti igual não se levantará”.
- Falem: Já conhecemos a história de Salomão quanto a um pedido dele a Deus. Mas o que ele pediu? O que ele recebeu?
Aguardem as respostas.
- Em seguida, peguem a caixa com o nome “Sabedoria”, entreguem para um aluno. Peçam para que ele fique em pé diante da turma.
- Depois, peçam para outro aluno ler Tg 1.5: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada”.
- Quando o aluno estiver lendo a parte do versículo “...peça a Deus...”, apontem para o aluno que está com a caixa.
Aguardem que os alunos peçam sabedoria, o aluno que está com caixa deve distribuir “sabedoria” apenas para quem pediu. Se ninguém percebeu que deve pedir, o versículo deve ser lido novamente, até que pelo menos alguns peçam.
- Falem: Salomão fez um pedido sábio, vocês também!
- Depois, os alunos devem abrir o envelope e ler seu conteúdo:
“Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia”. Tiago 3:17
- Depois, escrevam no quadro as 08 características da sabedoria que Deus nos concede. Vocês devem escrever à medida que os alunos citarem cada uma delas.
- Para finalizar, falem: É sobre esta sabedoria que vamos estudar na aula de hoje.
Por Sulamita Macedo.
Texto Pedagógico
Método de Perguntas e Respostas
O Método de Perguntas e Respostas consiste em lançar uma pergunta para os ouvintes, de forma que promova nos alunos um momento de reflexão para emitir suas respostas.
Neste método é requerida uma pergunta bem elaborada, evitando assim respostas factuais e que conduzam a resposta com sim, não, não sei, talvez etc.
A utilização deste método nas aulas da EBD pode ser tanto no início, no meio ou final da aula, dependendo então do momento, que o professor desejar, previamente pensado na execução do planejamento.
A pergunta pode ser emitida, para turma, oralmente ou apresentada por escrito; depois de sua apresentação, aguarde um pouco de tempo e comece a anotar as respostas no quadro ou cartolina. Caso as respostas não apareçam de imediato, provoquem os alunos para que eles falem.
As vantagens de sua utilização podem ser observadas, pois com sua inserção na aula, o professor está oportunizando a participação do aluno na aula, além de conhecer o que o aluno sabe sobre o tema.
Quanto às desvantagens, podem ser citadas:
- O aluno não conhecer o tema e não emitir resposta;
- Outro que emite a resposta e ter vergonha de estar errada e temer que pode acontecer atitudes inadequadas dos colegas devido a resposta dele – isto deve ser corrigido pelo professor, para que todos possam ter coragem de falar e saber que vai ser respeitado;
- Despreparo do professor em aceitar todas as respostas e depois não saber como extrair delas elementos para a análise final.
Não descarte nenhuma resposta, mesmo que esteja errada, incompleta ou não fazer sentido ao que foi perguntado. Todas as respostas devem ser observadas, pois ao ser lançada a pergunta, as respostas aparecerão.
Depois, é importante analisar todas as respostas, apresentando os argumentos bíblicos para o desfecho da análise. Dessa forma, o aluno perceberá que o professor “aproveitou” suas ideias, não deixando-as de lado e, certamente, em outras ocasiões continuará a querer participar, ao invés de se fechar, se o professor fizer de conta que não escutou uma resposta ou não dando atenção ao aluno pela emissão de algo errado ou descabido ou porque o professor não cortou de imediato as ações de pouco caso dos colegas etc.
Jesus utilizou-se de várias formas de ensinar, dentre eles o de Perguntas e Respostas. As perguntas lançadas por Jesus objetivavam levantar questionamentos, fazendo o ouvinte pensar, instigando à dúvida, proporcionando-lhe um novo aprendizado.
“Pois qual é mais fácil? Dizer: Perdoados te são os teus pecados ou dizer: Levante-te e anda?“ Mt 9.5
“O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondei-me.” Mc 11.30
“... Quem dizem os homens ser o Filho do homem?” Mt 16.13.
Que tal seguir o exemplo do Mestre dos mestres? Utilize o método de perguntas e respostas nas aulas da EBD, ele fica muito bem nas aulas expositivas! Observe as orientações deste texto e faça bom proveito!
Por Sulamita Macedo.
Jovens e Adultos: Fé e Obras – Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica
Lição 03: A Importância da Sabedoria Humilde
Professoras e professores, observem estas orientações:
1 – Antes de abordar o tema da aula, é interessante que vocês mantenham uma conversa informal e rápida com os alunos:
- Cumprimentem os alunos.
- Perguntem como passaram a semana.
- Escutem atentamente o que eles falam.
- Observem se há alguém necessitando de uma conversa e/ou oração.
- Verifiquem se há alunos novatos e/ou visitantes e apresentem cada um.
2 – Este momento não é uma mera formalidade, mas uma necessidade. Ao escutá-los, vocês estão criando vínculo com os alunos, eles entendem que vocês também se importam com eles.
3 – Após a chamada, solicitem ao secretário da classe a relação dos alunos ausentes e procurem manter contato com eles durante a semana, através de telefone ou email.
Os alunos se sentirão queridos, cuidados, perceberão que vocês sentem falta deles. Dessa forma, vocês estarão estabelecendo vínculos afetivos com seus alunos.
4 – Escolham um momento da aula, para mencionar os nomes dos alunos aniversariantes, parabenizando-os, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo.
5 – Fazendo o que foi exposto acima, somando-se a um professor motivado, associada a uma boa preparação de aula, com participação dos alunos, vocês terão bons resultados! Experimentem!
6 - Agora, iniciem o estudo da lição. Observem as seguintes sugestões:
- Falem que nesta aula, o tema a ser estudado será sobre o tipo de sabedoria que devemos pedir a Deus.
- Iniciem o estudo do tema através da dinâmica “Quer Sabedoria?”
- Depois, escrevam no quadro: Sabedoria Divina e Sabedoria Humana.
Reflitam com os alunos sobre a diferença entre elas, como se consegue cada uma e quais atitudes são geradas por estes tipos de sabedoria.
Enfatizem a importância da sabedoria que vem de Deus no aspecto espiritual, sentimental, emocional e relacional.
- Depois, trabalhem os demais conteúdos da lição sempre de forma participativa e contextualizada. Dessa forma, a aprendizagem será mais significativa.
Tenham uma excelente e produtiva aula!
Dinâmica: Quer Sabedoria?
Objetivo: Iniciar o estudo sobre a sabedoria que vem do alto.
Material:
01 caixa
Nome SABEDORIA digitado
Envelopes pequenos(quantidade depende do número de alunos)
Papel pequeno com o versículo de Tg 3. 17 digitado(01 para cada envelope)
01 pincel atômico ou um marcador para quadro branco
01 cartolina ou um quadro branco
Organizar o material da seguinte forma:
Colar o nome SABEDORIA fora da caixa, que fique bem visível
Colocar o versículo de Tg 3.17 dentro de cada envelope
Colocar os envelopes dentro da caixa
Procedimento:
- Comecem lendo I Reis 3. 9 a 12:
“A teu servo, pois, dá um coração entendido para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; porque quem poderia julgar a este teu tão grande povo?
E esta palavra pareceu boa aos olhos do Senhor, de que Salomão pedisse isso.
E disse-lhe Deus: Porquanto pediste isso, e não pediste para ti muitos dias, nem pediste para ti riquezas, nem pediste a vida de teus inimigos; mas pediste para ti entendimento, para discernires o que é justo;
Eis que fiz segundo as tuas palavras; eis que te dei um coração tão sábio e entendido, que antes de ti igual não houve, e depois de ti igual não se levantará”.
- Falem: Já conhecemos a história de Salomão quanto a um pedido dele a Deus. Mas o que ele pediu? O que ele recebeu?
Aguardem as respostas.
- Em seguida, peguem a caixa com o nome “Sabedoria”, entreguem para um aluno. Peçam para que ele fique em pé diante da turma.
- Depois, peçam para outro aluno ler Tg 1.5: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada”.
- Quando o aluno estiver lendo a parte do versículo “...peça a Deus...”, apontem para o aluno que está com a caixa.
Aguardem que os alunos peçam sabedoria, o aluno que está com caixa deve distribuir “sabedoria” apenas para quem pediu. Se ninguém percebeu que deve pedir, o versículo deve ser lido novamente, até que pelo menos alguns peçam.
- Falem: Salomão fez um pedido sábio, vocês também!
- Depois, os alunos devem abrir o envelope e ler seu conteúdo:
“Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia”. Tiago 3:17
- Depois, escrevam no quadro as 08 características da sabedoria que Deus nos concede. Vocês devem escrever à medida que os alunos citarem cada uma delas.
- Para finalizar, falem: É sobre esta sabedoria que vamos estudar na aula de hoje.
Por Sulamita Macedo.
Texto Pedagógico
Método de Perguntas e Respostas
O Método de Perguntas e Respostas consiste em lançar uma pergunta para os ouvintes, de forma que promova nos alunos um momento de reflexão para emitir suas respostas.
Neste método é requerida uma pergunta bem elaborada, evitando assim respostas factuais e que conduzam a resposta com sim, não, não sei, talvez etc.
A utilização deste método nas aulas da EBD pode ser tanto no início, no meio ou final da aula, dependendo então do momento, que o professor desejar, previamente pensado na execução do planejamento.
A pergunta pode ser emitida, para turma, oralmente ou apresentada por escrito; depois de sua apresentação, aguarde um pouco de tempo e comece a anotar as respostas no quadro ou cartolina. Caso as respostas não apareçam de imediato, provoquem os alunos para que eles falem.
As vantagens de sua utilização podem ser observadas, pois com sua inserção na aula, o professor está oportunizando a participação do aluno na aula, além de conhecer o que o aluno sabe sobre o tema.
Quanto às desvantagens, podem ser citadas:
- O aluno não conhecer o tema e não emitir resposta;
- Outro que emite a resposta e ter vergonha de estar errada e temer que pode acontecer atitudes inadequadas dos colegas devido a resposta dele – isto deve ser corrigido pelo professor, para que todos possam ter coragem de falar e saber que vai ser respeitado;
- Despreparo do professor em aceitar todas as respostas e depois não saber como extrair delas elementos para a análise final.
Não descarte nenhuma resposta, mesmo que esteja errada, incompleta ou não fazer sentido ao que foi perguntado. Todas as respostas devem ser observadas, pois ao ser lançada a pergunta, as respostas aparecerão.
Depois, é importante analisar todas as respostas, apresentando os argumentos bíblicos para o desfecho da análise. Dessa forma, o aluno perceberá que o professor “aproveitou” suas ideias, não deixando-as de lado e, certamente, em outras ocasiões continuará a querer participar, ao invés de se fechar, se o professor fizer de conta que não escutou uma resposta ou não dando atenção ao aluno pela emissão de algo errado ou descabido ou porque o professor não cortou de imediato as ações de pouco caso dos colegas etc.
Jesus utilizou-se de várias formas de ensinar, dentre eles o de Perguntas e Respostas. As perguntas lançadas por Jesus objetivavam levantar questionamentos, fazendo o ouvinte pensar, instigando à dúvida, proporcionando-lhe um novo aprendizado.
“Pois qual é mais fácil? Dizer: Perdoados te são os teus pecados ou dizer: Levante-te e anda?“ Mt 9.5
“O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondei-me.” Mc 11.30
“... Quem dizem os homens ser o Filho do homem?” Mt 16.13.
Que tal seguir o exemplo do Mestre dos mestres? Utilize o método de perguntas e respostas nas aulas da EBD, ele fica muito bem nas aulas expositivas! Observe as orientações deste texto e faça bom proveito!
Por Sulamita Macedo.quarta-feira, 16 de julho de 2014
TEOLOGIA-HERMENÊUTICA
TEOLOGIA EXEGÉTICA
Quando nos dispomos pregar a palavra de Deus é necessário que se busque a correta interpretação da Bíblia, para isso o pregador deve recorrer a duas importantes ciências da teologia que nos ajuda a entender e interpretar melhor o que o texto nos quer transmitir. Estas ciências são a HERMENÊUTICA e a EXEGESE.
HERMENÊUTICA- É uma palavra grega que significa interpretar, traduzir explicar. Ao se ler um texto bíblico, cada pessoa pode ter um ponto de vista diferente. Pois o ponto de vista depende das necessidades, carências e experiências vividas por cada um. Daí a necessidade de entendermos o texto por si mesmo, independente de nossas experiências pessoais, procurando manter a fidelidade do texto.
EXEGESE- Essa palavra é uma transliteração do grego e significa narração, exposição. É formada por duas palavras gregas: A primeira, significa "fora de" e a segunda "conduzir, guiar", aplicando-se ao texto bíblico significa " tirar para fora a mensagem do texto".
A bíblia é composta de diversos tipos de literaturas e estilos, por isso é necessário interpretar corretamente cada uma delas, A preocupação de um autor de um livro poético é diferente da de um autor de um livro histórico, neste há inclusão de detalhes que são dispensáveis naquele, como datas, governantes, posição geográfica, a fim de levar uma compreensão exata do que o autor quis dizer. Vejamos alguns princípios que regem a exegese e a hermenêutica:
1-PRICÍPIOS DA EXEGESE
a) Defina bem o texto - Evite pregar em textos muito pequenos para não deixar coisas importantes no contexto, ou em textos muito extensos, pois nesse caso a exposição pode ficar superficial, devemos buscar a definição da "perícope" (bloco central de raciocínio de em determinado texto).
b) Compare diversas traduções - Leia o texto em outras traduções, pois os tradutores podem dar sinônimos de palavras e isso facilita seu entendimento.
c) Analise o contexto do texto - Estude o parágrafo anterior e o posterior (contexto imediato). Descubra de onde o personagem está vindo e para onde está indo, o que aconteceu antes e depois do episódio que você está estudando. Analise a idéia ou contexto do livro que está sendo estudado (contexto remoto).
d) Analise a gramática do texto - Anote o significado das palavras que você não conhece, marque os verbos e faça ligações entre eles, separe as perguntas e as respostas que tiver no texto, marque palavras repetidas, comparações, etc.
e) Defina o tipo de literatura - Seu texto está nos livros histórico ou profético? Está nos evangélicos ou nas cartas? Essa definição é muito importante para compreender o texto.
f) Pesquise o contexto histórico-geográfico - Use um dicionário bíblico e entenda quem era o personagem principal do texto, quem era sua família, sua profissão, para onde estava indo de onde estava vindo. Quem era o governador ou Rei, etc. Anote todas as informações que o texto traz a fim de conhecer melhor o que estava acontecendo. Consulte sempre um mapa bíblico.
g) Identifique o tema principal - Qual é a idéia principal do texto? O que o texto está ensinando? Qual é o pensamento dominante? Tem outras idéias secundárias? Normalmente o tema principal do texto indicará o tema do sermão.
h) Pesquise em comentários Bíblicos- Não dispense os comentários Bíblicos, pois é o fruto do trabalho árduo de pessoas que já estudaram o texto e anotaram as suas conclusões. Porém só consulte um comentário após ter passados por todos os princípios anteriores.
2-PRINCÍPIO DA HERMENÊUTICA
a) Princípio da autoridade interna - Cada texto Bíblico apesar de ter mais de uma aplicação, tem um só significado, nossa tarefa é buscar o sentido real do texto e aplicá-lo corretamente. Não é a igreja que autentica a palavra por sua interpretação; é a Bíblia que se autentica a si mesma como palavra autoritativa de Deus.
b) Princípio do contexto - Contexto é a parte que vem antes ou depois do texto, não devemos interpretar um texto sem antes verificar o seu contexto, pois este ajudará a compreender o significado do texto.
c) Princípio do texto paralelo - A Bíblia interpreta a si mesma (1Co 2.13). Quando um determinado acontecimento é descrito por mais de um autor, este texto deve ser auxiliado na sua interpretação utilizando o mesmo assunto que ocorre em outras partes das Escrituras Sagradas, pois as informações se complementam e ajudam a entender o texto.
d) Princípio da autoria do texto - Os diferentes autores da Bíblia viveram em tempos, culturas, situações sociais e regiões diferentes. Portanto, a forma de interpretar um determinado texto será diferente de outro texto escrito por outra pessoa em outro contexto.
e) Princípio da interpretação do texto - A interpretação do texto é o que a passagem quer dizer no tempo, no espaço e nas circunstâncias e estilo que foram escritas. Alguns textos têm significado literal, outros têm significado simbólico. Um bom exemplo disto é o texto de Jo 2.19 " Destruirei este santuário e em três dias o reconstruirei". Ele se referia a si mesmo e não ao templo de Jerusalém.
Conclusão – A hermenêutica e a exegese são ferramentas para nos ajudar a entender o texto, contudo o pregador deve buscar a unção do EspíritoSanto, a fim de ser um verdadeiro instrumento nas mãos de Deus.
SOLA SCRIPTURA.
FONTE: CURSO PRÁTICO DE PREGAÇÃO. Rev. Dr. Saulo Pereira de Carvalho. Fraternalmente em Cristo, Pb. Gilson dos Santos.
Quando nos dispomos pregar a palavra de Deus é necessário que se busque a correta interpretação da Bíblia, para isso o pregador deve recorrer a duas importantes ciências da teologia que nos ajuda a entender e interpretar melhor o que o texto nos quer transmitir. Estas ciências são a HERMENÊUTICA e a EXEGESE.
HERMENÊUTICA- É uma palavra grega que significa interpretar, traduzir explicar. Ao se ler um texto bíblico, cada pessoa pode ter um ponto de vista diferente. Pois o ponto de vista depende das necessidades, carências e experiências vividas por cada um. Daí a necessidade de entendermos o texto por si mesmo, independente de nossas experiências pessoais, procurando manter a fidelidade do texto.
EXEGESE- Essa palavra é uma transliteração do grego e significa narração, exposição. É formada por duas palavras gregas: A primeira, significa "fora de" e a segunda "conduzir, guiar", aplicando-se ao texto bíblico significa " tirar para fora a mensagem do texto".
A bíblia é composta de diversos tipos de literaturas e estilos, por isso é necessário interpretar corretamente cada uma delas, A preocupação de um autor de um livro poético é diferente da de um autor de um livro histórico, neste há inclusão de detalhes que são dispensáveis naquele, como datas, governantes, posição geográfica, a fim de levar uma compreensão exata do que o autor quis dizer. Vejamos alguns princípios que regem a exegese e a hermenêutica:
1-PRICÍPIOS DA EXEGESE
a) Defina bem o texto - Evite pregar em textos muito pequenos para não deixar coisas importantes no contexto, ou em textos muito extensos, pois nesse caso a exposição pode ficar superficial, devemos buscar a definição da "perícope" (bloco central de raciocínio de em determinado texto).
b) Compare diversas traduções - Leia o texto em outras traduções, pois os tradutores podem dar sinônimos de palavras e isso facilita seu entendimento.
c) Analise o contexto do texto - Estude o parágrafo anterior e o posterior (contexto imediato). Descubra de onde o personagem está vindo e para onde está indo, o que aconteceu antes e depois do episódio que você está estudando. Analise a idéia ou contexto do livro que está sendo estudado (contexto remoto).
d) Analise a gramática do texto - Anote o significado das palavras que você não conhece, marque os verbos e faça ligações entre eles, separe as perguntas e as respostas que tiver no texto, marque palavras repetidas, comparações, etc.
e) Defina o tipo de literatura - Seu texto está nos livros histórico ou profético? Está nos evangélicos ou nas cartas? Essa definição é muito importante para compreender o texto.
f) Pesquise o contexto histórico-geográfico - Use um dicionário bíblico e entenda quem era o personagem principal do texto, quem era sua família, sua profissão, para onde estava indo de onde estava vindo. Quem era o governador ou Rei, etc. Anote todas as informações que o texto traz a fim de conhecer melhor o que estava acontecendo. Consulte sempre um mapa bíblico.
g) Identifique o tema principal - Qual é a idéia principal do texto? O que o texto está ensinando? Qual é o pensamento dominante? Tem outras idéias secundárias? Normalmente o tema principal do texto indicará o tema do sermão.
h) Pesquise em comentários Bíblicos- Não dispense os comentários Bíblicos, pois é o fruto do trabalho árduo de pessoas que já estudaram o texto e anotaram as suas conclusões. Porém só consulte um comentário após ter passados por todos os princípios anteriores.
2-PRINCÍPIO DA HERMENÊUTICA
a) Princípio da autoridade interna - Cada texto Bíblico apesar de ter mais de uma aplicação, tem um só significado, nossa tarefa é buscar o sentido real do texto e aplicá-lo corretamente. Não é a igreja que autentica a palavra por sua interpretação; é a Bíblia que se autentica a si mesma como palavra autoritativa de Deus.
b) Princípio do contexto - Contexto é a parte que vem antes ou depois do texto, não devemos interpretar um texto sem antes verificar o seu contexto, pois este ajudará a compreender o significado do texto.
c) Princípio do texto paralelo - A Bíblia interpreta a si mesma (1Co 2.13). Quando um determinado acontecimento é descrito por mais de um autor, este texto deve ser auxiliado na sua interpretação utilizando o mesmo assunto que ocorre em outras partes das Escrituras Sagradas, pois as informações se complementam e ajudam a entender o texto.
d) Princípio da autoria do texto - Os diferentes autores da Bíblia viveram em tempos, culturas, situações sociais e regiões diferentes. Portanto, a forma de interpretar um determinado texto será diferente de outro texto escrito por outra pessoa em outro contexto.
e) Princípio da interpretação do texto - A interpretação do texto é o que a passagem quer dizer no tempo, no espaço e nas circunstâncias e estilo que foram escritas. Alguns textos têm significado literal, outros têm significado simbólico. Um bom exemplo disto é o texto de Jo 2.19 " Destruirei este santuário e em três dias o reconstruirei". Ele se referia a si mesmo e não ao templo de Jerusalém.
Conclusão – A hermenêutica e a exegese são ferramentas para nos ajudar a entender o texto, contudo o pregador deve buscar a unção do EspíritoSanto, a fim de ser um verdadeiro instrumento nas mãos de Deus.
SOLA SCRIPTURA.
FONTE: CURSO PRÁTICO DE PREGAÇÃO. Rev. Dr. Saulo Pereira de Carvalho. Fraternalmente em Cristo, Pb. Gilson dos Santos.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
A importância da sabedoria humilde
TEXTO AUREO
"Não desampares a sabedoria, e ela te guardará; ama-a e ela te conservará” (Pv 4.6).
VERDADE PRATICA
A sabedoria que procede de Deus é humilde, por isso, equilibra o crente em todas as circunstâncias da vida.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Tiago 1.5; 3.13-18
OBJETIVOS
Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
· Descrever a sabedoria que vem de Deus.
· Demonstrar na prática a sabedoria humilde.
· Compreender a distinção entre a verdadeira sabedoria e a arrogante.
INTRODUÇÃO
PALAVRAS-CHAVE
Sabedoria Humilde: O conhecimento e prática dos requisitos para uma vida piedosa e reta.
Tiago em sua epístola procura nos mostrar a respeito da sabedoria em seu aspecto global. Desta forma ele revela-nos a existência de dois tipos de sabedoria: A divina e a terrena. Ao estabelecer a diferença entre cada uma delas, o apóstolo exorta-nos a nos empenharmos na conquista da verdadeira sabedoria, a divina, que procede do alto.
Quantas e quantas vezes, no nosso dia a dia, precisamos ter sabedoria para tomarmos decisões, para decidirmos problemas, para darmos uma palavra de conforto, para darmos uma resposta sábia, para encararmos as dificuldades do dia a dia. Na verdade, a cada minuto de nossa vida temos que tomar decisões e, muitas vezes, elas são realmente muito difíceis, e para tudo isso precisamos da sabedoria divina, ela é um tesouro que não está exposto e não é tão fácil de se conseguir. Ela está escondida, esperando para ser descoberta. Quanto mais a buscamos, mais queremos e precisamos buscá-la, e mais experimentamos a satisfação de sermos felizes, mesmo nas adversidades.
I- A NECESSIDADE DE PEDIRMOS SABEDORIA A DEUS (Tg 1.5)
1. A sabedoria que vem de Deus. A sabedoria é uma das características mais mencionadas a respeito de Deus. Deus é classificado como onisciente, ou seja, sabe ou conhece todas as coisas. O apóstolo dos gentios quando fava dela dizia: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33)
Na Bíblia também é mencionada a sabedoria do Rei Salomão, filho do Rei Davi, que foi o rei mais próspero de Israel, sendo também considerado o homem mais sábio do Antigo Testamento e um dos mais sábios de toda a Bíblia. Deus deu a Salomão sabedoria, discernimento extraordinário e uma abrangência de conhecimento tão imensurável quanto a areia do mar. A sabedoria de Salomão era maior do que a de todos os homens do oriente e do que toda a sabedoria do Egito. (1 Rs 4.29,30).
Precisamos, urgentemente, de sabedoria para sermos bons pais, bons filhos, boas esposas, bons maridos, bons administradores, prósperos nos negócios, prósperos nos relacionamentos, prósperos no relacionamento com Deus. A sabedoria que vem de Deus nos leva a viver o melhor de Deus. O primeiro passo para se ter a sabedoria que vem de Deus é obedecendo a Deus. Temos que ser cheios de sabedoria para melhor conhecer a Deus e seus propósitos e sermos vencedores aqui na terra.
2. Deus é o doador da sabedoria. Vivemos em uma época onde a busca por conhecimento e informação é valorizada e procurada constantemente. No entanto, sabedoria deste mundo é orgulhosa, vaidosa e soberba. Geralmente esta sabedoria conduz os homens a não darem nenhum crédito ás coisas de deus e a ridicularizarem a sua palavra. Ela exalta a auto suficiência humana, coloca o homem no centro de todas as coisas fazendo deste a autoridade suprema em tudo. Esta sabedoria o próprio deus a qualifica como loucura: “porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: ele apanha os sábios na sua própria astúcia” (1 Co 3.19).
A sabedoria doada por Deus é:
a) Pura - Vai contra os conceitos mundanos.
b) Pacífica - Não traz contendas.
c) Moderada - É sóbria, equilibrada.
d) Tratável.
e) cheia de misericórdia - Não olha só para si, mas consola e edifica as pessoas.
f) Imparcial - Não é injusta.
g) Sem hipocrisia - Tem uma aliança com a verdade. Onde há a sabedoria de Deus existe paz.
3. Peça a Deus sabedoria. O texto afirma: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente”. Observe os seguintes pontos:
a. Necessidade. A oração “se algum de vocês necessita de sabedoria” é a primeira parte de uma declaração fatual numa frase condicional. O autor está dizendo ao leitor: “Sei que você não vai admitir, mas você necessita de sabedoria”. Tiago trata de um problema delicado, pois ninguém quer ouvir que é tolo, que comete erros e precisa de ajuda. O ser humano é, por natureza, independente. Quer resolver seus próprios problemas e tomar suas próprias decisões. O teólogo do século 18, John Albert Bengel, colocou de modo um tanto sucinto: “A paciência está mais no poder de um homem bom do que a sabedoria; a primeira deve ser exercitada, e esta última deve ser pedida”. É preciso que o ser humano supere o orgulho para admitir que precisa de sabedoria. Mas a sabedoria não é algo que ele possui. Ela pertence a Deus, pois é sua divina virtude. Qualquer um que admita a necessidade de sabedoria deve ir até Deus e pedir-lhe. Tiago apela para o leitor e ouvinte individualmente. Escreve: “se algum de vós”. Tiago dá ao leitor a chance de se examinar, de chegar à conclusão de que precisa de sabedoria e de seguir o seu conselho para que a peça a Deus.
b. Pedido. O crente deve pedir sabedoria a Deus. Tiago deixa implícito que Deus é a fonte de sabedoria. Ela lhe pertence. O Novo Testamento afirma que o cristão recebe sabedoria e conhecimento de Deus (ver, por exemplo, 1 Co 1.30) É verdade que fazemos uma distinção entre sabedoria e conhecimento quando dizemos que o conhecimento sem sabedoria é de pouco valor. Donald Guthrie observa que “se a sabedoria é o uso correto do conhecimento, a sabedoria perfeita pressupõe conhecimento perfeito”. Para tonar-se maduro e íntegro, o crente deve pedir a Deus sabedoria.
Deus deseja oferecer sabedoria a qualquer um que pedir com humildade. O reservatório de sabedoria de Deus é infinito e ele “a todos dá liberalmente”.
c. Dádiva. Deus não faz acepção. Ele dá a todos, não importa quem seja, pois Deus deseja dar. É uma característica de Deus. Ele dá continuamente. Toda vez que alguém chega até ele com um pedido, ele abre seu reservatório e distribui sabedoria gratuitamente. Assim como o sol continua a dar sua luz, Deus continua dando sabedoria. Não podemos imaginar um sol que deixe de dar luz, muito menos pensar em Deus deixando de dar sabedoria. A dádiva de Deus é gratuita, sem juros, sem o pedido de que se pague de volta. Ela é grátis.
Além disso, Deus dá “e não lança em rosto”. Quando pedimos a Deus por sabedoria, não devemos temer que ele expresse desprazer ou nos reprove. Quando chegamos até ele com a fé como a de uma criança, ele jamais nos manda de volta vazios. Temos a segurança de que, quando pedimos por sabedoria, ela nos “será dada”. Deus não decepciona aquele que pede com fé. Quem pede tem que fazê-lo sem dúvida de nenhuma espécie. Tem que estar seguro tanto do poder como do desejo de Deus em dar. O maior empecilho para as respostas à oração não é Deus, mas a nossa incredulidade.
II- A DEMONSTRAÇÃO PRÁTICA DA SABEDORIA HUMILDE (Tg 3.13)
1. A sabedoria colocada em prática. Sabedoria é também olhar para a vida com os olhos de Deus. A pergunta do sábio é: em meus passos, o que faria Jesus? Como ele falaria, como agiria, como reagiria? Cristo não foi um mestre da escola clássica. Ele ensinou os seus discípulos na escola da vida. Ensinar a sabedoria é mais importante do que apenas transmitir conhecimento, mas sim, um exemplo de vida (Ver At 1.1)
Tiago está contrastando dois diferentes tipos de sabedoria: a sabedoria da terra e a sabedoria do céu. Qual sabedoria governa a sua vida? Por qual caminho você está trilhando? Que tipo de vida você está vivendo? Que frutos esse estilo de vida está produzindo? A sua fonte é doce ou salgada (3.12)?
Tiago mostra, também, que essa sabedoria se reflete nos relacionamentos, pois ela é prática (3.13.14). Sábio é aquele que é santo em caráter, profundo em discernimento e útil nos conselhos. Você conhece o sábio e o inteligente pela mansidão da sua sabedoria e pelas suas obras, ou seja, imitando a Jesus, que foi manso e humilde de coração (Mt 11.29).
2. A humildade como prática cristã. A humildade é preciosa aos olhos de Deus e revela que quem a possuir será mais e mais abençoado e agraciado com os Seus cuidados; ela conserva a alma na tranquilidade e contentamento, mesmo em meio às dificuldades diárias e gera a paciência e resignação nos momentos mais difíceis possíveis.
Pode-se defini-la como “um sentimento que leva a pessoa a reconhecer suas próprias limitações; modéstia; ausência de orgulho”. Paulo nos instrui dizendo: “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos” Fp 2.3 NVI; veja Pv 18.12).
A humildade é um sentimento de extrema importância no coração do homem que procura santificar-se, na realidade, sem esta evidência do caráter de Cristo, é impossível servir integralmente a Deus.
Na palavra encontramos textos que a descreve como uma imposição de Deus (Tg 4.10; Lc 22.26; 1Pe 5.5,6).
É a nossa obrigação, como filhos de Deus, procurarmos a humildade e nos revestirmos com ela Cl 3.12-14), para que a vejam em nossos passos e ações (Ef 4.1,2). E glorifiquem ao Senhor.
Na Bíblia encontramos uma série de homens que são mostrados como exemplos da verdadeira humildade. Entre eles podemos destacar: Cristo (Mt 11.29); Abraão (Gn 18.27); Jacó (Gn 32.10); Davi ( 2Sm 7.18); Paulo 1Tm 1.15), etc.
Foram servos que não se preocuparam com a própria vida, antes, o seu prazer estava exclusivamente no Senhor e deixava-se mover pelo Espírito Santo, reconhecendo que nada eram e que tudo provinha do Eterno. Hoje, no meio denominado cristão nos deparamos com uma triste verdade, são raras as exceções, a falta de humildade tem entrado e se fincado raízes nos corações, uma situação que contradiz claramente as ordenanças do Senhor Deus.
3. Obras em mansidão de sabedoria. Mansidão não é fraqueza, mas poder sob controle. A palavra era usada para um cavalo domesticado, que tinha o seu poder sob controle. Uma pessoa que não tem controle pessoal ou domínio próprio não é sábia. Mansidão é o uso correto do poder, assim como sabedoria é o uso correto do conhecimento.
A sabedoria é à base da qualidade da mansidão; e é essa qualidade que os mestres e os lideres cristãos devem possuir, acima de todas as demais qualidades. De outro modo, serão eles uma força destruidora na igreja, e não uma força edificante, porquanto passarão mais tempo edificando sua própria reputação e orgulho do que exaltando a Cristo e edificando a sua igreja.
III - O VALOR DA VERDADEIRA SABEDORIA E A ARROGÂNCIA DO SABER CONTENCIOSO (Tg 3.14-18)
1. Administrando a sabedoria. Na antiguidade, sabedoria e humildade eram praticamente inimigas. A visão grega da sabedoria pressupunha o orgulho. Uma pessoa “sábia” tinha que se orgulhar de sua posição. Para Tiago, porém, afirmar que se prova ser uma pessoa sábia executando obras com humildade era algo totalmente contra aquela cultura que não sabia administrar bem sua sabedoria. Algo que é também contra nossa cultura hoje. A tendência que temos é de exaltar-nos e orgulhar-nos de nossos próprios feitos.
A soberba está muito distante da humildade, característica básica de quem sabe administar sua sabedoria. É lamentável que algumas pessoas só percebam esses comportamentos no final de suas vidas, muitas vezes num leito de hospital, quando muito pouco podem fazer para reconstruírem o que destruíram, nos outros e, principalmente, em si mesmas. É preciso desenvolver a consciência que seu valor enquanto pessoa independe da posição ou aquisição, mas que acima de tudo, somos todos seres humanos, em constante processo de evolução, independente do que temos, mas com certeza por aquilo que somos.
O Novo Testamento é rico em lições deixadas por Cristo, um verdadeiro exemplo de alguém que administrava a sua sabedoria.
2. Sabedoria verdadeira e a arrogância do saber. A arrogância é uma doença espiritual maligna e silenciosa. Um dos efeitos dessa moléstia é que, em geral, o arrogante se acha a pessoa mais humilde do mundo – ele não se vê como verdadeiramente é. Constantemente aponta os erros dos outros, mas não consegue perceber como a sua essência está contaminada – e, se consegue, tem a arrogância de dizer que não é arrogante. Hoje está totalmente disseminado o conceito antibíblico de que é possível ser arrogante e ser um cristão cheio de sabedoria divina. Não é. É absolutamente impossível ser um homem sábio e ser arrogante ao mesmo tempo. São características que não cabem no mesmo indivíduo.
Arrogância é sinônimo de orgulho, altivez, soberba, prepotência. Mostre-me um arrogante e lhe mostrarei um homem sem o mínimo de sabedoria espiritual. Esse é um pecado tão grave que o salmista diz ao Senhor em Salmos 5.5: “Os arrogantes não são aceitos na tua presença (NVI)”. Em 2 Timóteo 3.1-2, o apóstolo Paulo fala sobre o perfil dos homens nos últimos tempos: “SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos…”. Sim, o olhar altivo do arrogante é um dos defeitos que Deus mais detesta, como Salomão deixa claro em Provérbios 6.16-19.
Em contraste com a sabedoria terrena descrita logo acima (arrogância), Tiago agora apresenta a verdadeira sabedoria, que deve marcar as palavras e o comportamento dos que desejam ser mestres. Tiago personifica a sabedoria, falando dela como se fosse uma pessoa; talvez siga o modelo encontrado no livro de Provérbios, no qual a sabedoria é descrita de forma similar (Pv 8.1-36; 9.3-5). Paulo emprega o mesmo artifício literário quando descreve o amor (1 Co 13.4-8).
A descrição de Tiago inicia com a procedência da sabedoria: ela vem lá do alto, isto é, de Deus (Ver 1.5,17; 3.15; Êx 36.2; 1 Rs 3.9-12; Pv 2.6).
3. Atitudes a serem evitadas. “Onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa” (v. 1 6). Aqui temos o motivo pelo qual (“por que”) Tiago considera a “sabedoria” dos que almejam ser mestres terrena, animal e demoníaca: ela produz todo tipo de problema nas igrejas. Inveja (3.14) significa rivalidade invejosa e contenciosa por causa das manifestações de ira e amargura que esse sentimento produz. “Sentimento faccioso” (“ambição egoísta”, NVI) é a tradução de um verbo grego derivado de uma palavra que significa trabalhar por salário. Veio a significar aqueles que, motivados pela ambição, estão dispostos a tudo para obter seus objetivos, até mesmo romper e separar-se dos outros, provocando facções e divisões.
Onde esses sentimentos existem, e especialmente quando existem no coração daqueles que se acham sábios, aí há perturbação e toda obra perversa. Aquilo que é um sentimento interior produz atitudes exteriores. “perturbação” vem da mesma palavra que Tiago usou para descrever a pessoa “inconstante” (1.8) e a língua como um mal “incontido” (3.8). A ideia geral é de um estado de desordem, que expressa bem a situação em que ficam as igrejas quando predominam líderes cujo coração está cheio de inveja amargurada e sentimento faccioso (3.14). Um exemplo é Babel, onde o Senhor “confundiu a linguagem de toda a terra”, evento seguido pela dispersão daqueles que antes eram um único povo (Gn 11.9). Além disso, tais sentimentos causam “toda espécie de coisas ruins” (“toda espécie de males”, NVI). Essa expressão genérica de Tiago engloba tudo aquilo que é vil, perverso, maléfico para a vida das comunidades cristãs. Veja a lista das obras da carne em Gálatas 5.20. As obras de Caim são chamadas de “más” e tiveram origem na inveja amargurada que nutriu contra seu irmão Abel (1 Jo 3.12).
CONCLUSÃO
A vida cristã consiste em semear e em ceifar. Aliás, toda vida é assim, e ceifamos exatamente o que semeamos. O cristão que segue a sabedoria de Deus semeia a humildade, não a arrogância; semeia a paz, não a guerra. A forma de vivermos permite que o Senhor promova algo de bom na vida de outros. Por conseguinte, só os sábios são humildes e só os humildes são sábios. As pessoas humildes são aquelas que percebem que o mundo não termina nem acaba em si. São aquelas que percebem que o centro do mundo não está em si. São, pois, aquelas que não olham para si. São aquelas que olham para fora de si. Até o mais alto quis descer até ao mais baixo. É o sábio Deus nos ensinando a humildade.
Somos o que vivemos, e o que vivemos é o que semeamos. Se vivermos segundo a sabedoria de Deus, semearemos a humildade e colheremos a exaltação divina (Mt 23.12 Lc 18.14). Se vivermos segundo a sabedoria do mundo, semearemos pecado e guerra e colheremos "confusão e toda espécie de males"(3.16 NVI).
Bibliografia:
§ Barclay, William. Comentário do Novo Testamento - Tradução: Carlos Biagini;
§ De Oliveira, Raimundo. Lições Bíblicas Maturidade Cristã. 1º Trimestre de 1989. CPAD;
§ Kistemaker, Simon J.. Comentário do Novo Testamento - Tiago e Epistolas de João. Cultura Cristã;
§ Lopes, Hernandes Dias. Tiago: Transformando provas em triunfo. Hagnos;
§ Nicodemus, Augustus. Série Interpretando o Novo testamento - Tiago. Editora Cultura Cristã
§ Seckler, Lou. Aprenda a Viver – Lições do Livro de Tiago. Ed. Ixtlan;
§ Shedd, Russel. Uma Exposição de Tiago a Sabedoria de Deus. Shedd Publicações;
§ Taylor. W. C. .A Epistola de Tiago – Casa Publicadora Batista;
§ Wiersbe, Warren W.. Comentário Bíblico expositivo – Novo Testamento. Vol.2. Geográfica Editora
TEXTO AUREO
"Não desampares a sabedoria, e ela te guardará; ama-a e ela te conservará” (Pv 4.6).
VERDADE PRATICA
A sabedoria que procede de Deus é humilde, por isso, equilibra o crente em todas as circunstâncias da vida.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Tiago 1.5; 3.13-18
OBJETIVOS
Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
· Descrever a sabedoria que vem de Deus.
· Demonstrar na prática a sabedoria humilde.
· Compreender a distinção entre a verdadeira sabedoria e a arrogante.
INTRODUÇÃO
PALAVRAS-CHAVE
Sabedoria Humilde: O conhecimento e prática dos requisitos para uma vida piedosa e reta.
Tiago em sua epístola procura nos mostrar a respeito da sabedoria em seu aspecto global. Desta forma ele revela-nos a existência de dois tipos de sabedoria: A divina e a terrena. Ao estabelecer a diferença entre cada uma delas, o apóstolo exorta-nos a nos empenharmos na conquista da verdadeira sabedoria, a divina, que procede do alto.
Quantas e quantas vezes, no nosso dia a dia, precisamos ter sabedoria para tomarmos decisões, para decidirmos problemas, para darmos uma palavra de conforto, para darmos uma resposta sábia, para encararmos as dificuldades do dia a dia. Na verdade, a cada minuto de nossa vida temos que tomar decisões e, muitas vezes, elas são realmente muito difíceis, e para tudo isso precisamos da sabedoria divina, ela é um tesouro que não está exposto e não é tão fácil de se conseguir. Ela está escondida, esperando para ser descoberta. Quanto mais a buscamos, mais queremos e precisamos buscá-la, e mais experimentamos a satisfação de sermos felizes, mesmo nas adversidades.
I- A NECESSIDADE DE PEDIRMOS SABEDORIA A DEUS (Tg 1.5)
1. A sabedoria que vem de Deus. A sabedoria é uma das características mais mencionadas a respeito de Deus. Deus é classificado como onisciente, ou seja, sabe ou conhece todas as coisas. O apóstolo dos gentios quando fava dela dizia: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33)
Na Bíblia também é mencionada a sabedoria do Rei Salomão, filho do Rei Davi, que foi o rei mais próspero de Israel, sendo também considerado o homem mais sábio do Antigo Testamento e um dos mais sábios de toda a Bíblia. Deus deu a Salomão sabedoria, discernimento extraordinário e uma abrangência de conhecimento tão imensurável quanto a areia do mar. A sabedoria de Salomão era maior do que a de todos os homens do oriente e do que toda a sabedoria do Egito. (1 Rs 4.29,30).
Precisamos, urgentemente, de sabedoria para sermos bons pais, bons filhos, boas esposas, bons maridos, bons administradores, prósperos nos negócios, prósperos nos relacionamentos, prósperos no relacionamento com Deus. A sabedoria que vem de Deus nos leva a viver o melhor de Deus. O primeiro passo para se ter a sabedoria que vem de Deus é obedecendo a Deus. Temos que ser cheios de sabedoria para melhor conhecer a Deus e seus propósitos e sermos vencedores aqui na terra.
2. Deus é o doador da sabedoria. Vivemos em uma época onde a busca por conhecimento e informação é valorizada e procurada constantemente. No entanto, sabedoria deste mundo é orgulhosa, vaidosa e soberba. Geralmente esta sabedoria conduz os homens a não darem nenhum crédito ás coisas de deus e a ridicularizarem a sua palavra. Ela exalta a auto suficiência humana, coloca o homem no centro de todas as coisas fazendo deste a autoridade suprema em tudo. Esta sabedoria o próprio deus a qualifica como loucura: “porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: ele apanha os sábios na sua própria astúcia” (1 Co 3.19).
A sabedoria doada por Deus é:
a) Pura - Vai contra os conceitos mundanos.
b) Pacífica - Não traz contendas.
c) Moderada - É sóbria, equilibrada.
d) Tratável.
e) cheia de misericórdia - Não olha só para si, mas consola e edifica as pessoas.
f) Imparcial - Não é injusta.
g) Sem hipocrisia - Tem uma aliança com a verdade. Onde há a sabedoria de Deus existe paz.
3. Peça a Deus sabedoria. O texto afirma: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente”. Observe os seguintes pontos:
a. Necessidade. A oração “se algum de vocês necessita de sabedoria” é a primeira parte de uma declaração fatual numa frase condicional. O autor está dizendo ao leitor: “Sei que você não vai admitir, mas você necessita de sabedoria”. Tiago trata de um problema delicado, pois ninguém quer ouvir que é tolo, que comete erros e precisa de ajuda. O ser humano é, por natureza, independente. Quer resolver seus próprios problemas e tomar suas próprias decisões. O teólogo do século 18, John Albert Bengel, colocou de modo um tanto sucinto: “A paciência está mais no poder de um homem bom do que a sabedoria; a primeira deve ser exercitada, e esta última deve ser pedida”. É preciso que o ser humano supere o orgulho para admitir que precisa de sabedoria. Mas a sabedoria não é algo que ele possui. Ela pertence a Deus, pois é sua divina virtude. Qualquer um que admita a necessidade de sabedoria deve ir até Deus e pedir-lhe. Tiago apela para o leitor e ouvinte individualmente. Escreve: “se algum de vós”. Tiago dá ao leitor a chance de se examinar, de chegar à conclusão de que precisa de sabedoria e de seguir o seu conselho para que a peça a Deus.
b. Pedido. O crente deve pedir sabedoria a Deus. Tiago deixa implícito que Deus é a fonte de sabedoria. Ela lhe pertence. O Novo Testamento afirma que o cristão recebe sabedoria e conhecimento de Deus (ver, por exemplo, 1 Co 1.30) É verdade que fazemos uma distinção entre sabedoria e conhecimento quando dizemos que o conhecimento sem sabedoria é de pouco valor. Donald Guthrie observa que “se a sabedoria é o uso correto do conhecimento, a sabedoria perfeita pressupõe conhecimento perfeito”. Para tonar-se maduro e íntegro, o crente deve pedir a Deus sabedoria.
Deus deseja oferecer sabedoria a qualquer um que pedir com humildade. O reservatório de sabedoria de Deus é infinito e ele “a todos dá liberalmente”.
c. Dádiva. Deus não faz acepção. Ele dá a todos, não importa quem seja, pois Deus deseja dar. É uma característica de Deus. Ele dá continuamente. Toda vez que alguém chega até ele com um pedido, ele abre seu reservatório e distribui sabedoria gratuitamente. Assim como o sol continua a dar sua luz, Deus continua dando sabedoria. Não podemos imaginar um sol que deixe de dar luz, muito menos pensar em Deus deixando de dar sabedoria. A dádiva de Deus é gratuita, sem juros, sem o pedido de que se pague de volta. Ela é grátis.
Além disso, Deus dá “e não lança em rosto”. Quando pedimos a Deus por sabedoria, não devemos temer que ele expresse desprazer ou nos reprove. Quando chegamos até ele com a fé como a de uma criança, ele jamais nos manda de volta vazios. Temos a segurança de que, quando pedimos por sabedoria, ela nos “será dada”. Deus não decepciona aquele que pede com fé. Quem pede tem que fazê-lo sem dúvida de nenhuma espécie. Tem que estar seguro tanto do poder como do desejo de Deus em dar. O maior empecilho para as respostas à oração não é Deus, mas a nossa incredulidade.
II- A DEMONSTRAÇÃO PRÁTICA DA SABEDORIA HUMILDE (Tg 3.13)
1. A sabedoria colocada em prática. Sabedoria é também olhar para a vida com os olhos de Deus. A pergunta do sábio é: em meus passos, o que faria Jesus? Como ele falaria, como agiria, como reagiria? Cristo não foi um mestre da escola clássica. Ele ensinou os seus discípulos na escola da vida. Ensinar a sabedoria é mais importante do que apenas transmitir conhecimento, mas sim, um exemplo de vida (Ver At 1.1)
Tiago está contrastando dois diferentes tipos de sabedoria: a sabedoria da terra e a sabedoria do céu. Qual sabedoria governa a sua vida? Por qual caminho você está trilhando? Que tipo de vida você está vivendo? Que frutos esse estilo de vida está produzindo? A sua fonte é doce ou salgada (3.12)?
Tiago mostra, também, que essa sabedoria se reflete nos relacionamentos, pois ela é prática (3.13.14). Sábio é aquele que é santo em caráter, profundo em discernimento e útil nos conselhos. Você conhece o sábio e o inteligente pela mansidão da sua sabedoria e pelas suas obras, ou seja, imitando a Jesus, que foi manso e humilde de coração (Mt 11.29).
2. A humildade como prática cristã. A humildade é preciosa aos olhos de Deus e revela que quem a possuir será mais e mais abençoado e agraciado com os Seus cuidados; ela conserva a alma na tranquilidade e contentamento, mesmo em meio às dificuldades diárias e gera a paciência e resignação nos momentos mais difíceis possíveis.
Pode-se defini-la como “um sentimento que leva a pessoa a reconhecer suas próprias limitações; modéstia; ausência de orgulho”. Paulo nos instrui dizendo: “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos” Fp 2.3 NVI; veja Pv 18.12).
A humildade é um sentimento de extrema importância no coração do homem que procura santificar-se, na realidade, sem esta evidência do caráter de Cristo, é impossível servir integralmente a Deus.
Na palavra encontramos textos que a descreve como uma imposição de Deus (Tg 4.10; Lc 22.26; 1Pe 5.5,6).
É a nossa obrigação, como filhos de Deus, procurarmos a humildade e nos revestirmos com ela Cl 3.12-14), para que a vejam em nossos passos e ações (Ef 4.1,2). E glorifiquem ao Senhor.
Na Bíblia encontramos uma série de homens que são mostrados como exemplos da verdadeira humildade. Entre eles podemos destacar: Cristo (Mt 11.29); Abraão (Gn 18.27); Jacó (Gn 32.10); Davi ( 2Sm 7.18); Paulo 1Tm 1.15), etc.
Foram servos que não se preocuparam com a própria vida, antes, o seu prazer estava exclusivamente no Senhor e deixava-se mover pelo Espírito Santo, reconhecendo que nada eram e que tudo provinha do Eterno. Hoje, no meio denominado cristão nos deparamos com uma triste verdade, são raras as exceções, a falta de humildade tem entrado e se fincado raízes nos corações, uma situação que contradiz claramente as ordenanças do Senhor Deus.
3. Obras em mansidão de sabedoria. Mansidão não é fraqueza, mas poder sob controle. A palavra era usada para um cavalo domesticado, que tinha o seu poder sob controle. Uma pessoa que não tem controle pessoal ou domínio próprio não é sábia. Mansidão é o uso correto do poder, assim como sabedoria é o uso correto do conhecimento.
A sabedoria é à base da qualidade da mansidão; e é essa qualidade que os mestres e os lideres cristãos devem possuir, acima de todas as demais qualidades. De outro modo, serão eles uma força destruidora na igreja, e não uma força edificante, porquanto passarão mais tempo edificando sua própria reputação e orgulho do que exaltando a Cristo e edificando a sua igreja.
III - O VALOR DA VERDADEIRA SABEDORIA E A ARROGÂNCIA DO SABER CONTENCIOSO (Tg 3.14-18)
1. Administrando a sabedoria. Na antiguidade, sabedoria e humildade eram praticamente inimigas. A visão grega da sabedoria pressupunha o orgulho. Uma pessoa “sábia” tinha que se orgulhar de sua posição. Para Tiago, porém, afirmar que se prova ser uma pessoa sábia executando obras com humildade era algo totalmente contra aquela cultura que não sabia administrar bem sua sabedoria. Algo que é também contra nossa cultura hoje. A tendência que temos é de exaltar-nos e orgulhar-nos de nossos próprios feitos.
A soberba está muito distante da humildade, característica básica de quem sabe administar sua sabedoria. É lamentável que algumas pessoas só percebam esses comportamentos no final de suas vidas, muitas vezes num leito de hospital, quando muito pouco podem fazer para reconstruírem o que destruíram, nos outros e, principalmente, em si mesmas. É preciso desenvolver a consciência que seu valor enquanto pessoa independe da posição ou aquisição, mas que acima de tudo, somos todos seres humanos, em constante processo de evolução, independente do que temos, mas com certeza por aquilo que somos.
O Novo Testamento é rico em lições deixadas por Cristo, um verdadeiro exemplo de alguém que administrava a sua sabedoria.
2. Sabedoria verdadeira e a arrogância do saber. A arrogância é uma doença espiritual maligna e silenciosa. Um dos efeitos dessa moléstia é que, em geral, o arrogante se acha a pessoa mais humilde do mundo – ele não se vê como verdadeiramente é. Constantemente aponta os erros dos outros, mas não consegue perceber como a sua essência está contaminada – e, se consegue, tem a arrogância de dizer que não é arrogante. Hoje está totalmente disseminado o conceito antibíblico de que é possível ser arrogante e ser um cristão cheio de sabedoria divina. Não é. É absolutamente impossível ser um homem sábio e ser arrogante ao mesmo tempo. São características que não cabem no mesmo indivíduo.
Arrogância é sinônimo de orgulho, altivez, soberba, prepotência. Mostre-me um arrogante e lhe mostrarei um homem sem o mínimo de sabedoria espiritual. Esse é um pecado tão grave que o salmista diz ao Senhor em Salmos 5.5: “Os arrogantes não são aceitos na tua presença (NVI)”. Em 2 Timóteo 3.1-2, o apóstolo Paulo fala sobre o perfil dos homens nos últimos tempos: “SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos…”. Sim, o olhar altivo do arrogante é um dos defeitos que Deus mais detesta, como Salomão deixa claro em Provérbios 6.16-19.
Em contraste com a sabedoria terrena descrita logo acima (arrogância), Tiago agora apresenta a verdadeira sabedoria, que deve marcar as palavras e o comportamento dos que desejam ser mestres. Tiago personifica a sabedoria, falando dela como se fosse uma pessoa; talvez siga o modelo encontrado no livro de Provérbios, no qual a sabedoria é descrita de forma similar (Pv 8.1-36; 9.3-5). Paulo emprega o mesmo artifício literário quando descreve o amor (1 Co 13.4-8).
A descrição de Tiago inicia com a procedência da sabedoria: ela vem lá do alto, isto é, de Deus (Ver 1.5,17; 3.15; Êx 36.2; 1 Rs 3.9-12; Pv 2.6).
3. Atitudes a serem evitadas. “Onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa” (v. 1 6). Aqui temos o motivo pelo qual (“por que”) Tiago considera a “sabedoria” dos que almejam ser mestres terrena, animal e demoníaca: ela produz todo tipo de problema nas igrejas. Inveja (3.14) significa rivalidade invejosa e contenciosa por causa das manifestações de ira e amargura que esse sentimento produz. “Sentimento faccioso” (“ambição egoísta”, NVI) é a tradução de um verbo grego derivado de uma palavra que significa trabalhar por salário. Veio a significar aqueles que, motivados pela ambição, estão dispostos a tudo para obter seus objetivos, até mesmo romper e separar-se dos outros, provocando facções e divisões.
Onde esses sentimentos existem, e especialmente quando existem no coração daqueles que se acham sábios, aí há perturbação e toda obra perversa. Aquilo que é um sentimento interior produz atitudes exteriores. “perturbação” vem da mesma palavra que Tiago usou para descrever a pessoa “inconstante” (1.8) e a língua como um mal “incontido” (3.8). A ideia geral é de um estado de desordem, que expressa bem a situação em que ficam as igrejas quando predominam líderes cujo coração está cheio de inveja amargurada e sentimento faccioso (3.14). Um exemplo é Babel, onde o Senhor “confundiu a linguagem de toda a terra”, evento seguido pela dispersão daqueles que antes eram um único povo (Gn 11.9). Além disso, tais sentimentos causam “toda espécie de coisas ruins” (“toda espécie de males”, NVI). Essa expressão genérica de Tiago engloba tudo aquilo que é vil, perverso, maléfico para a vida das comunidades cristãs. Veja a lista das obras da carne em Gálatas 5.20. As obras de Caim são chamadas de “más” e tiveram origem na inveja amargurada que nutriu contra seu irmão Abel (1 Jo 3.12).
CONCLUSÃO
A vida cristã consiste em semear e em ceifar. Aliás, toda vida é assim, e ceifamos exatamente o que semeamos. O cristão que segue a sabedoria de Deus semeia a humildade, não a arrogância; semeia a paz, não a guerra. A forma de vivermos permite que o Senhor promova algo de bom na vida de outros. Por conseguinte, só os sábios são humildes e só os humildes são sábios. As pessoas humildes são aquelas que percebem que o mundo não termina nem acaba em si. São aquelas que percebem que o centro do mundo não está em si. São, pois, aquelas que não olham para si. São aquelas que olham para fora de si. Até o mais alto quis descer até ao mais baixo. É o sábio Deus nos ensinando a humildade.
Somos o que vivemos, e o que vivemos é o que semeamos. Se vivermos segundo a sabedoria de Deus, semearemos a humildade e colheremos a exaltação divina (Mt 23.12 Lc 18.14). Se vivermos segundo a sabedoria do mundo, semearemos pecado e guerra e colheremos "confusão e toda espécie de males"(3.16 NVI).
Bibliografia:
§ Barclay, William. Comentário do Novo Testamento - Tradução: Carlos Biagini;
§ De Oliveira, Raimundo. Lições Bíblicas Maturidade Cristã. 1º Trimestre de 1989. CPAD;
§ Kistemaker, Simon J.. Comentário do Novo Testamento - Tiago e Epistolas de João. Cultura Cristã;
§ Lopes, Hernandes Dias. Tiago: Transformando provas em triunfo. Hagnos;
§ Nicodemus, Augustus. Série Interpretando o Novo testamento - Tiago. Editora Cultura Cristã
§ Seckler, Lou. Aprenda a Viver – Lições do Livro de Tiago. Ed. Ixtlan;
§ Shedd, Russel. Uma Exposição de Tiago a Sabedoria de Deus. Shedd Publicações;
§ Taylor. W. C. .A Epistola de Tiago – Casa Publicadora Batista;
§ Wiersbe, Warren W.. Comentário Bíblico expositivo – Novo Testamento. Vol.2. Geográfica Editora
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Livro do 3° trimestre para baixar.
http://www.4shared.com/office/F6FhSFVXba/Lio_Bblica_3_Trimestre_de_2014.html
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sábado, 5 de julho de 2014
O que fazer Para vencer a Ansiedade.

Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus ( Filipenses 4,6,7 )
Mas antes de abordarmos o que devemos fazer para vencer a ansiedade precisamos saber o que é ansiedade?
definição de ansiedade : Dicionário a define como : desejo continuo por certa coisa, que deixa a pessoa inquieta e faz com que a pessoa perca até o sono.
Vivemos em um época que muitas pessoas estão sendo atacadas por esse sentimento , mas a ansiedade é muito nociva pois leva a pessoa a perder a alegria e tira a paz do coração , pois o ansioso vive uma vida de frustrações , e esse sentimento atrapalha até a auto estima da pessoa
Existe uma arma poderosa para vencer este mal , e esta arma esta na disposição de cada pessoa que tem sua vida nas mãos do senhor , se chama oração !! o apostolo Paulo na primeira parte do versículo diz que través da oração e súplica e com ações de graças, podemos entregar as nossas lutas nas mãos dele e a paz que excede todo entendimento vai guardar os nossos corações em Cristo Jesus.
Jesus pergunta para você ,Como você se encontra neste momento ? o que tem deixado você triste e inquieto ? não temas clama a mim , como esta escrito em Jeremias 33, 3 , e eu te responderei e te anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que ainda não sabes.
Quando clamamos e suplicamos a Deus ele toma a nossa peleja , e a peleja já não é mais nossa e sim do senhor dos exércitos que nunca perdeu uma batalha , e de repente a Paz de Deus que esta acima de todas as coisas vai guardar nossos corações de tal forma que nenhuma ansiedade vai poder destruí-la.
Portanto quando coisas quiserem tirar a sua paz e te deixar inquieto ore clame a ele, e tudo vai dar certo pois ele peleja por nós. .
Paz do senhor jesus . Ass: Marcus Vinicius

Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus ( Filipenses 4,6,7 )
Mas antes de abordarmos o que devemos fazer para vencer a ansiedade precisamos saber o que é ansiedade?
definição de ansiedade : Dicionário a define como : desejo continuo por certa coisa, que deixa a pessoa inquieta e faz com que a pessoa perca até o sono.
Vivemos em um época que muitas pessoas estão sendo atacadas por esse sentimento , mas a ansiedade é muito nociva pois leva a pessoa a perder a alegria e tira a paz do coração , pois o ansioso vive uma vida de frustrações , e esse sentimento atrapalha até a auto estima da pessoa
Existe uma arma poderosa para vencer este mal , e esta arma esta na disposição de cada pessoa que tem sua vida nas mãos do senhor , se chama oração !! o apostolo Paulo na primeira parte do versículo diz que través da oração e súplica e com ações de graças, podemos entregar as nossas lutas nas mãos dele e a paz que excede todo entendimento vai guardar os nossos corações em Cristo Jesus.
Jesus pergunta para você ,Como você se encontra neste momento ? o que tem deixado você triste e inquieto ? não temas clama a mim , como esta escrito em Jeremias 33, 3 , e eu te responderei e te anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que ainda não sabes.
Quando clamamos e suplicamos a Deus ele toma a nossa peleja , e a peleja já não é mais nossa e sim do senhor dos exércitos que nunca perdeu uma batalha , e de repente a Paz de Deus que esta acima de todas as coisas vai guardar nossos corações de tal forma que nenhuma ansiedade vai poder destruí-la.
Portanto quando coisas quiserem tirar a sua paz e te deixar inquieto ore clame a ele, e tudo vai dar certo pois ele peleja por nós. .
Paz do senhor jesus . Ass: Marcus Vinicius
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Bíblia online
terça-feira, 1 de julho de 2014
TIAGO - A FÉ QUE SE MOSTRA PELAS OBRAS

TEXTO ÁUREO
“Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2.17).
VERDADE PRATICA
A nossa fé tem de produzir frutos verdadeiros de amor, do contrário, ela se apresenta falsa.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Tiago 2.14-26
OBJETIVOS
Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
· Descrever as questões de autoria, local, data e destinatário da epístola.
· Entender o propósito da epístola.
· Destacar a atualidade da epístola.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
PALAVRA-CHAVE
Fé: Confiança absoluta em alguém. A primeira das três virtudes teologais: fé, esperança e amor.
Durante três meses iremos estudar a carta de Tiago que difere das outras cartas do Novo Testamento pelo seu estilo, conteúdo e apresentação. A carta demorou a ser incluída no cânon do Novo Testamento. Martinho Lutero descreveu-a como uma epístola de palha. Mas todos, que confiando em sua inspiração divina e no fato que é a Palavra de Deus, serão ricamente compensados pela meditação e aplicação à vida de suas palavras. Agostinho confessou para Deus: “O que tuas Escrituras dizem, tu dizes!”. Kierkegaard tinha Tiago como sua Escritura predileta.
A carta de Tiago é um dos livros mais atuais e necessários para a igreja contemporânea. Tiago é comparado ao sermão do monte. Ele tem princípios práticos. Ele tange os grandes temas da vida cristã de forma clara, direta e rica. Tiago está preocupado com a prática do cristianismo.
Para ele não basta ter um credo, fazer uma profissão de fé ortodoxa, é preciso viver de forma digna de Deus.
O estudo deste livro desafiará você a fazer um balanço de sua vida, um diagnóstico de sua experiência cristã. É impossível colocar-se diante do espelho deste livro sem identificar a necessidade de sermos corrigidos por Deus.
I- AUTORIA, LOCAL, DATA E DESTINATÁRIOS (Tg 1.1)
1. Autoria. O prefácio indica que o autor da Epístola de Tiago foi Tiago, servo de Deus, e do Senhor Jesus Cristo. Mas quem era esse Tiago? Dos quatro principais indivíduos que tinham esse nome no Novo Testamento, só dois foram apresentados como possíveis autores desta epístola - Tiago, filho de Zebedeu, e Tiago, o irmão do Senhor. O primeiro é um candidato improvável. Sofreu o martírio em 44 A.D., e não há nenhuma evidência de que ocupasse posição de liderança na igreja, que lhe desse a autoridade de escrever esta carta geral. Embora Isidoro de Sevilha e Dante achassem que ele foi o autor do livro, esta identidade não tem sido largamente aceita em nenhum período da igreja.
A opinião tradicional identifica o autor como sendo Tiago, o irmão do Senhor. A semelhança da linguagem da epístola com as palavras de Tiago em Atos 15, a forte dependência do escritor da tradição judia, e a consistência do conteúdo de sua carta com as notícias históricas que o Novo Testamento dá em relação a Tiago, o irmão do Senhor, tudo tende a apoiar a autoria tradicional.
2. Local e data. Muitas são as opiniões prevalecentes sobre a data de Tiago. Aqueles que aceitam a autoria tradicional costumam datá-la entre o meio dos anos quarenta e o começo de sessenta (exatamente antes da morte de Tiago). Já foi datada tardiamente, como 150 A.D., por aqueles que defendem a teoria do "Tiago desconhecido" ou de um pseudônimo.
Embora não possamos ser dogmáticos a respeito da época em que foi escrita, um número de fatores apontam para uma data mais precoce. As condições sociais reveladas na epístola, especialmente a separação aguda existente entre os ricos e os pobres, sugere uma data antes da destruição de Jerusalém. A escatologia revelada também aponta para uma data precoce. A expectativa da volta do Senhor aumenta de intensidade com o que foi encontrado em I e II Tessalonicenses.
A passagem mais difícil para datar o livro é a famosa passagem que fala da fé e das obras (Tg. 2.14-26). Para entender estes versículos o leitor deve se familiarizar com certas fórmulas paulinas; por isso é difícil crer que o autor de 2.14-26 estivesse refutando Paulo. Isto envolveria uma quase inconcebível má interpretação da doutrina paulina da justificação pela fé. A passagem se explica melhor como ocasionada por uma má interpretação de Paulo, não da parte do autor da epístola, mas da parte dos seus leitores. Tal má interpretação teria mais provavelmente surgido bem no início do ministério de pregação pública de Paulo. De acordo com o livro de Atos, a primeira pregação pública mais extensa de Paulo aconteceu em Antioquia (Atos 11.26). O ministério de um ano aconteceu antes da visita por ocasião da fome em Jerusalém em cerca de 46 (cons. Atos 11.27-29; Gl. 2.1-10) e a perseguição herodiana em 44. Quanto tempo se passou até que a má interpretação e a aplicação errônea da doutrina da justificação pela fé apresentada por Paulo chamasse a atenção de Tiago, não sabemos. A vista do fato dos judeus, cristãos e não cristãos, de todo o mundo mediterrâneo, estarem constantemente se movimentando para Jerusalém e fora dela, provavelmente não foi muito tempo depois. Uma data em cerca de 44 para a epístola, durante ou imediatamente a perseguição herodiana, se encaixaria melhor em todos os fatores conhecidos.
Embora um número de sugestões opostas tenham sido apresentadas de vez em quando, poucas são as dúvidas de que Tiago a escreveu na Palestina. Especialmente pelo colorido sugerido, o escritor indica que ele é um palestiniano (cons. 1.10, 11; 3.11, 12; 5.7).
3. Destinatário. Essa carta foi dirigida às “doze tribos dispersas” entre as nações (literalmente “na dispersão/Diáspora”; 1.1). Essa referência é claramente simbólica, se considerarmos que a estrutura tribal de Israel havia cessado de ser um conjunto literal de doze tribos desde pelo menos a conquista Assíria do Reino do Norte em 722 a.C. A questão que se apresenta, então, é: Até que ponto Tiago estende aos seus leitores os elementos metafóricos de sua designação?
A interpretação mais “literal” da saudação é que cópias dessa carta foram enviadas aos judeus (às “doze tribos”) que estavam vivendo fora da Palestina (“dispersos entre os gregos”; cf. Jo 7.35). No entanto, levando em conta que a carta obviamente não representa um tratado evangelístico destinado a converter os judeus ao cristianismo, esse entendimento pode ser rapidamente excluído. Os destinatários são apresentados como já possuindo a fé em Jesus Cristo (2.1) e, sendo assim, a linguagem a respeito das “doze tribos” é geralmente aceita como simbolizando a crença de que os cristãos são agora o povo de Deus, e formam o novo Israel ou o Israel espiritual.
Como deveríamos compreendera descrição literária de estarem “dispersos”? Sabemos que alguns dos primeiros cristãos consideravam-se como o povo escolhido de Deus, que havia sido “disperso” ou “espalhado” através de um mundo mau, e que ansiavam retornar ao seu lar espiritual ao lado de Deus (1 Pe 1.1; cf. Fp 3-20; Hb 11.13; 13.14). Embora Tiago estivesse preocupado com as diferenças entre o que é “terreno” e o “que vem do alto” (3.15), ele não desenvolve especificamente essa imagem dos cristãos como alienígenas espirituais em um mundo cruel. Consequentemente, alguns intérpretes que adotam a opinião tradicional sobre a sua autoria sugeriram que a carta foi enviada de Jerusalém aos cristãos que haviam sido dispersos pela perseguição (cf. At 8.1; 11.19,20). Novamente, porém, a história da demora na aceitação da carta no cânon não vem em apoio a essa conclusão que, desde o início, foi amplamente divulgada.
Nossos comentários adotam a posição de que Tiago não só se referiu a seus leitores como uma “Diáspora” no sentido metafórico, mas que nessa carta ele também desenvolveu a metáfora de uma forma bastante particular. Tiago acreditava que seus leitores haviam se tomado “dispersos” por terem se “desviado da verdade” (5-19)-O que era exatamente aquela “verdade” da qual haviam se extraviado, e como Tiago esperava recuperá-los de seu erro (5.20), será discutido abaixo (veja “Propósito”). Porém, como Tiago tinha conhecimento e preocupações muito especiais a respeito dos destinatários, é provável que a carta tenha sido dirigida a uma única congregação, com a qual mantinha um relacionamento pessoal.
As evidências já discutidas em relação à origem e à data da carta sugerem que essa congregação estava localizada em algum lugar da região da Palestina. Em vista da variedade das questões discutidas nessa breve carta — inclusive assuntos relacionados à classe rica, pobre e de mercadores (2.1-9,15,16; 4.13-15; 5-1-6) — a Igreja parece ter abrangido um significativo âmbito da sociedade, pelo menos em seus contatos, se não também no tocante a seus membros. Pode, inclusive, ter havido algumas tensões dentro da congregação a respeito de assuntos relacionados à posição social e autoridade (3.1,2; 4.1,11 12).
II - O PROPÓSITO DA EPÍSTOLA DE TIAGO
1. Orientar. Tiago observa que a fé precisa crescer juntamente com as estaturas física do cristão. Não é possível que uma fé cresça sem que ela seja alimentada ao longo da vida pois, ao contrário, vai ficando subnutrida e raquítica com o mínimo de alimento que lhe é oferecida, ou até, chega a desfalecer no coração. Por isso esta carta traz verdadeiras orientações espirituais a fim de que os cristãos primitivos possam crescer a cada dia. Da mesma forma que, para chegar a uma faculdade é preciso cursar o Ensino Fundamental e Médio, a fim de que tenhamos conhecimentos básicos para acompanhar um curso superior, assim também acontecia com a vida daqueles cristãos, eles precisavam de ensinos básicos sobre o cristianismo e aprofundamento da fé, como veremos nas lições seguintes.
2. Consolar. A palavra "consolar", aqui, (gr. paraklesis), significa colocar-se ao lado de uma pessoa, encorajando-a e ajudando-a em tempos de aflição. Tiago aqui desempenha esse papel, pois Ele envia esta epístola trazendo-lhes palavras de consolo. O apóstolo aprendeu, nas suas muitas aflições, que nenhum sofrimento, por severo que seja, poderá separar o crente dos cuidados e da compaixão do seu Pai celeste. DEUS, às vezes, permite que haja aflições em nossa vida, a fim de que, tendo experimentado seu consolo, possamos também consolar outros nas suas aflições. Nosso sofrimento não é primeiramente motivado por desobediência, mas constantemente causado por Satanás, pelo mundo e pelos falsos crentes, à medida que participamos da causa de CRISTO.
No Salmo 119.143, Davi nos ensina que a palavra de Deus sempre é mais forte que a angústia: "Sobre mim vieram tribulação e angústia, todavia os teus mandamentos são o meu prazer". A angústia está presente, mas a alegria na palavra de Deus é maior. Uma outra tradução diz: "Tribulação e angústia me atingiram, mas os teus mandamentos são o meu prazer"(NVI). O poder de Deus também sempre é maior do que a angústia: "Se ando em meio à tribulação, tu me refazes a vida; estendes a mão contra a ira dos meus inimigos, e a tua destra me salva" (Sl 138.7 ARA). No Novo Testamento, Paulo confirma essa gloriosa verdade: "Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?... Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor!" (Rm 8.35; 38-39).
3. Fortalecer. Nos tempos do Império Romano, o culto aos deuses pagãos e ao imperador fazia parte da vida de todo o mundo. Dois problemas surgiam disto. Primeiro, porque eles não participavam dos rituais pagãos, mas tendiam a se isolar, os cristãos eram considerados anti-sociais. Quando a polícia imperial interessou-se por eles, eles se tornaram mais reservados, o que acrescentou ainda mais combustível à fogueira. Eles foram associados aos collegia – clubes ou sociedades secretas – e os líderes suspeitavam desses grupos, devido à ameaça de sedição. Em segundo lugar, visto como os cristãos não queriam participar das atividades religiosas que, conforme se acreditava, aplacavam os deuses, eles tornaram-se uma ameaça à própria felicidade da comunidade. Diante de tudo isso as perseguições começaram a surgir.
Uma das partes mais difíceis da vida cristã é o fato de que se tornar um discípulo de Cristo não nos torna imunes a provações e tribulações da vida. As provações e tribulações que Ele permite em nossas vidas fazem parte de tudo que coopera para o nosso bem. Portanto, para o crente, todas as provações e tribulações devem ter um propósito divino. O apóstolo escrevia a sua epístola também com o propósito de conscientizá-los desta verdade afim de que eles tenham a sua fé fortalecida.
III - ATUALIDADE DA EPÍSTOLA
1. Num tempo de superficialidade espiritual. Parece que Tiago via a assustadora superficialidade espiritual do chamado povo de Deus em relação ao que está acontecendo no meio da Igreja Evangélica dos dias atuais. Num passado não muito distante, o crente era conhecido pelo seu vocabulário, pela forma de se vestir e pela sua postura ética. Hoje o que vemos é um grande número de pessoas dizendo-se cristãs, mas vivendo sem nenhum compromisso com Deus, interessadas apenas em seu bem estar, correndo atrás da prosperidade, não para abençoar outros irmãos, mas porque estão pensando apenas em si mesmas.
Escândalos após escândalos relacionados a dinheiro e sua gestão no ambiente da chamada “fé” aumenta o buraco da indiferença, do cinismo, da mornidão espiritual, do deboche, do escárnio, da irreverência da falta de amor, da omissão e muitas vezes traz a morte da esperança.
A Igreja atual está cheia de um povo sem fidelidade a Deus, um povo sem Bíblia, sem compromisso com a verdade. O que muitos levam para a igreja é uma sacola contendo garrafa de água ou roupa de alguém para “benzer”. Consequentemente a igreja formada por este tipo de pessoas torna-se uma instituição sem doutrina, sem raízes, caracterizada pela rotatividade dos membros. A porta dos fundos acaba sendo maior que a da frente.
Infelizmente o que vemos são pessoas que sequer são religiosas, mas possuem uma ética comportamental melhor que a de muitos cristãos. O que vemos são empresários cristãos, dignos, evitando contratar seus “irmãos em Cristo”, em razão do mau testemunho que apresentam.
Jesus disse que o joio cresceria no meio do trigo. Tem joio demais na igreja de hoje. A liderança precisa tomar uma posição, voltar a refletir o temor de Deus. A liderança precisa voltar a profetizar “assim diz o Senhor” e não o que temos ouvido de muitos, “assim dizem os senhores”, grandes dizimistas ou detentores de algum tipo de poder natural.
Boa parte da liderança e crentes de hoje, estão trocando seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas. São os vendilhões do templo, trocam o eterno pelo passageiro. A igreja está adoecida, em razão de sua própria promiscuidade e superficialidade espiritual.
Precisamos devolver o lugar da Bíblia na Igreja. Mas Bíblia pura, precisamos voltar à Palavra, precisamos de líderes que tenham coragem de dizer: isto é pecado! A Igreja precisa ser uma igreja pura, que reflita o amor de Deus. Formada por verdadeiros redimidos, por gente comprometida com Deus, que ama mais a Cristo que a própria vida e não mais a própria vida que Cristo.
2. Num tempo de confusão entre “salvação pela fé” ou “salvação pelas obras”. As escrituras ensinam claramente que somos salvos (justificados) pela fé em Cristo e o que Ele fez na cruz. Somente essa fé nos salva. Porém, não podemos parar aqui sem averiguar o que Tiago diz em Tiago 2.24, "Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé."
Tiago começa essa parte usando um exemplo de alguém que diz ter fé, mas não tem obras. "Que proveito há, meus irmãos se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura essa fé pode salvá-lo?" (Tiago 2.14 AR). Em outras palavras, Tiago está tratando de uma fé morta, uma fé que não é nada mais do que um pronunciamento verbal, uma confissão pública vinda da mente, que não vem do coração. É vazia, sem vida e sem ação. Ele começa com essa negação, e demonstra o que uma fé vazia significa (versículos 15-17, palavras sem ações).
Em suma, Tiago está examinando dois tipos de fé: uma que leva a obras de Deus, e uma que não leva. Uma é verdadeira, outra é falsa. Uma é morta, outra é viva; daí "a fé sem as obras é estéril" (Tiago 2.20 AR). Porém, ele não está contradizendo os versículos acima que dizem que salvação e justificação são alcançadas somente pela fé.
Além disso, note que Tiago cita o mesmo versículo que Paulo cita em Rm 4.3 juntamente com vários outros versículos que lidam com justificação pela fé. Tiago 2.23 diz, "E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus". Se Tiago estivesse tentando ensinar uma doutrina sobre fé e obras que estivesse em contradição com os outros escritores do Novo Testamento, ele não teria usado Abraão como exemplo. Logo, podemos ver que justificação é somente pela fé, e que Tiago estava falando a respeito de uma fé falsa, e não de uma fé verdadeira, quando ele diz que não somos justificados somente pela fé.
3. Uma fé posta em prática. A mensagem de Tiago é direta , objetiva e acima de tudo prática. Diferente das epístolas de Paulo, Pedro e João, a carta de Tiago não inclui saudações pessoais. As exortações começam no segundo versículo e continuam até o último.
Os temas abordados nos cinco capítulos de Tiago são diversos, todos focando a importância de viver a prática da fé:
Capítulo 1 enfatiza as atitudes certas diante de provações e tentações e chama os leitores a serem praticantes, e não apenas ouvintes, da palavra do Senhor.
Capítulo 2 aborda dois assuntos: (1) a condenação de preconceitos socioeconômicos na igreja e (2) a necessidade de obras que demonstram a autenticidade da fé.
Capítulo 3 apresenta uma das advertências mais fortes do Novo Testamento sobre o uso errado da língua e nos chama a buscar a sabedoria divina.
Capítulo 4 condena várias atitudes carnais que atrapalham o serviço a Deus.
Capítulo 5 encerra a epístola com várias instruções que exigem uma perspectiva eterna e espiritual, e não materialista e carnal.
Encontramos em Tiago instruções simples, diretas e valiosas. Tratando das provações, ele disse: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações: Sabendo que a prova da vossa fé obra a paciência.” (Tiago 1:2-3). Sobre a obediência à palavra de Deus, Tiago escreveu: “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.” (Tiago 1.22). E para combater a noção de salvação pela fé sem a obediência, acrescentou: “Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé...Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.” (Tiago 2.24,26).
Tiago mostrou sua preocupação com o perigo de alguém abandonar a fé em Cristo, e encerrou a carta com orientações sobre o resgate dos desviados: “Irmãos, se algum de entre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados.” (Tiago 5.19-20).
Do começo ao fim, o livro de Tiago apresenta instruções práticas que podem e devem ser aplicadas em nossas vidas a cada dia.
CONCLUSÃO
Para a fé funcionar, devemos deixar Deus obrar a sua verdade dentro de nós! Não é o suficiente saber o que o Senhor diz e concordar com Ele. Um campo inculto é aquele em que não há lavoura, nem plantio, ou colheita, e Deus não deixa que Seus campos permaneçam vazios.
Fé em ação é um como a terra que está sendo lavrada, plantada e colhida pela Palavra e pelo Espírito de Deus. Para a fé funcionar, devemos estar dispostos a entrar em ação. Deus tem uma grande colheita, mas poucos trabalhadores. O Senhor da seara está à procura de pessoas que estão dispostas a testar a sua fé por sair para o campo e trabalhar com Ele. E não nos esqueçamos: A religião pura e imaculada é a fé que se mostra através de nossas práticas e obras, pois fé é um encontro com Jesus Cristo, com Deus, e dali nasce e leva ao testemunho. É isso que o Apóstolo quer dizer: uma fé sem obras, que não envolva, que não leve ao testemunho, não é fé. São palavras e nada mais que palavras.

TEXTO ÁUREO
“Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2.17).
VERDADE PRATICA
A nossa fé tem de produzir frutos verdadeiros de amor, do contrário, ela se apresenta falsa.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Tiago 2.14-26
OBJETIVOS
Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
· Descrever as questões de autoria, local, data e destinatário da epístola.
· Entender o propósito da epístola.
· Destacar a atualidade da epístola.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
PALAVRA-CHAVE
Fé: Confiança absoluta em alguém. A primeira das três virtudes teologais: fé, esperança e amor.
Durante três meses iremos estudar a carta de Tiago que difere das outras cartas do Novo Testamento pelo seu estilo, conteúdo e apresentação. A carta demorou a ser incluída no cânon do Novo Testamento. Martinho Lutero descreveu-a como uma epístola de palha. Mas todos, que confiando em sua inspiração divina e no fato que é a Palavra de Deus, serão ricamente compensados pela meditação e aplicação à vida de suas palavras. Agostinho confessou para Deus: “O que tuas Escrituras dizem, tu dizes!”. Kierkegaard tinha Tiago como sua Escritura predileta.
A carta de Tiago é um dos livros mais atuais e necessários para a igreja contemporânea. Tiago é comparado ao sermão do monte. Ele tem princípios práticos. Ele tange os grandes temas da vida cristã de forma clara, direta e rica. Tiago está preocupado com a prática do cristianismo.
Para ele não basta ter um credo, fazer uma profissão de fé ortodoxa, é preciso viver de forma digna de Deus.
O estudo deste livro desafiará você a fazer um balanço de sua vida, um diagnóstico de sua experiência cristã. É impossível colocar-se diante do espelho deste livro sem identificar a necessidade de sermos corrigidos por Deus.
I- AUTORIA, LOCAL, DATA E DESTINATÁRIOS (Tg 1.1)
1. Autoria. O prefácio indica que o autor da Epístola de Tiago foi Tiago, servo de Deus, e do Senhor Jesus Cristo. Mas quem era esse Tiago? Dos quatro principais indivíduos que tinham esse nome no Novo Testamento, só dois foram apresentados como possíveis autores desta epístola - Tiago, filho de Zebedeu, e Tiago, o irmão do Senhor. O primeiro é um candidato improvável. Sofreu o martírio em 44 A.D., e não há nenhuma evidência de que ocupasse posição de liderança na igreja, que lhe desse a autoridade de escrever esta carta geral. Embora Isidoro de Sevilha e Dante achassem que ele foi o autor do livro, esta identidade não tem sido largamente aceita em nenhum período da igreja.
A opinião tradicional identifica o autor como sendo Tiago, o irmão do Senhor. A semelhança da linguagem da epístola com as palavras de Tiago em Atos 15, a forte dependência do escritor da tradição judia, e a consistência do conteúdo de sua carta com as notícias históricas que o Novo Testamento dá em relação a Tiago, o irmão do Senhor, tudo tende a apoiar a autoria tradicional.
2. Local e data. Muitas são as opiniões prevalecentes sobre a data de Tiago. Aqueles que aceitam a autoria tradicional costumam datá-la entre o meio dos anos quarenta e o começo de sessenta (exatamente antes da morte de Tiago). Já foi datada tardiamente, como 150 A.D., por aqueles que defendem a teoria do "Tiago desconhecido" ou de um pseudônimo.
Embora não possamos ser dogmáticos a respeito da época em que foi escrita, um número de fatores apontam para uma data mais precoce. As condições sociais reveladas na epístola, especialmente a separação aguda existente entre os ricos e os pobres, sugere uma data antes da destruição de Jerusalém. A escatologia revelada também aponta para uma data precoce. A expectativa da volta do Senhor aumenta de intensidade com o que foi encontrado em I e II Tessalonicenses.
A passagem mais difícil para datar o livro é a famosa passagem que fala da fé e das obras (Tg. 2.14-26). Para entender estes versículos o leitor deve se familiarizar com certas fórmulas paulinas; por isso é difícil crer que o autor de 2.14-26 estivesse refutando Paulo. Isto envolveria uma quase inconcebível má interpretação da doutrina paulina da justificação pela fé. A passagem se explica melhor como ocasionada por uma má interpretação de Paulo, não da parte do autor da epístola, mas da parte dos seus leitores. Tal má interpretação teria mais provavelmente surgido bem no início do ministério de pregação pública de Paulo. De acordo com o livro de Atos, a primeira pregação pública mais extensa de Paulo aconteceu em Antioquia (Atos 11.26). O ministério de um ano aconteceu antes da visita por ocasião da fome em Jerusalém em cerca de 46 (cons. Atos 11.27-29; Gl. 2.1-10) e a perseguição herodiana em 44. Quanto tempo se passou até que a má interpretação e a aplicação errônea da doutrina da justificação pela fé apresentada por Paulo chamasse a atenção de Tiago, não sabemos. A vista do fato dos judeus, cristãos e não cristãos, de todo o mundo mediterrâneo, estarem constantemente se movimentando para Jerusalém e fora dela, provavelmente não foi muito tempo depois. Uma data em cerca de 44 para a epístola, durante ou imediatamente a perseguição herodiana, se encaixaria melhor em todos os fatores conhecidos.
Embora um número de sugestões opostas tenham sido apresentadas de vez em quando, poucas são as dúvidas de que Tiago a escreveu na Palestina. Especialmente pelo colorido sugerido, o escritor indica que ele é um palestiniano (cons. 1.10, 11; 3.11, 12; 5.7).
3. Destinatário. Essa carta foi dirigida às “doze tribos dispersas” entre as nações (literalmente “na dispersão/Diáspora”; 1.1). Essa referência é claramente simbólica, se considerarmos que a estrutura tribal de Israel havia cessado de ser um conjunto literal de doze tribos desde pelo menos a conquista Assíria do Reino do Norte em 722 a.C. A questão que se apresenta, então, é: Até que ponto Tiago estende aos seus leitores os elementos metafóricos de sua designação?
A interpretação mais “literal” da saudação é que cópias dessa carta foram enviadas aos judeus (às “doze tribos”) que estavam vivendo fora da Palestina (“dispersos entre os gregos”; cf. Jo 7.35). No entanto, levando em conta que a carta obviamente não representa um tratado evangelístico destinado a converter os judeus ao cristianismo, esse entendimento pode ser rapidamente excluído. Os destinatários são apresentados como já possuindo a fé em Jesus Cristo (2.1) e, sendo assim, a linguagem a respeito das “doze tribos” é geralmente aceita como simbolizando a crença de que os cristãos são agora o povo de Deus, e formam o novo Israel ou o Israel espiritual.
Como deveríamos compreendera descrição literária de estarem “dispersos”? Sabemos que alguns dos primeiros cristãos consideravam-se como o povo escolhido de Deus, que havia sido “disperso” ou “espalhado” através de um mundo mau, e que ansiavam retornar ao seu lar espiritual ao lado de Deus (1 Pe 1.1; cf. Fp 3-20; Hb 11.13; 13.14). Embora Tiago estivesse preocupado com as diferenças entre o que é “terreno” e o “que vem do alto” (3.15), ele não desenvolve especificamente essa imagem dos cristãos como alienígenas espirituais em um mundo cruel. Consequentemente, alguns intérpretes que adotam a opinião tradicional sobre a sua autoria sugeriram que a carta foi enviada de Jerusalém aos cristãos que haviam sido dispersos pela perseguição (cf. At 8.1; 11.19,20). Novamente, porém, a história da demora na aceitação da carta no cânon não vem em apoio a essa conclusão que, desde o início, foi amplamente divulgada.
Nossos comentários adotam a posição de que Tiago não só se referiu a seus leitores como uma “Diáspora” no sentido metafórico, mas que nessa carta ele também desenvolveu a metáfora de uma forma bastante particular. Tiago acreditava que seus leitores haviam se tomado “dispersos” por terem se “desviado da verdade” (5-19)-O que era exatamente aquela “verdade” da qual haviam se extraviado, e como Tiago esperava recuperá-los de seu erro (5.20), será discutido abaixo (veja “Propósito”). Porém, como Tiago tinha conhecimento e preocupações muito especiais a respeito dos destinatários, é provável que a carta tenha sido dirigida a uma única congregação, com a qual mantinha um relacionamento pessoal.
As evidências já discutidas em relação à origem e à data da carta sugerem que essa congregação estava localizada em algum lugar da região da Palestina. Em vista da variedade das questões discutidas nessa breve carta — inclusive assuntos relacionados à classe rica, pobre e de mercadores (2.1-9,15,16; 4.13-15; 5-1-6) — a Igreja parece ter abrangido um significativo âmbito da sociedade, pelo menos em seus contatos, se não também no tocante a seus membros. Pode, inclusive, ter havido algumas tensões dentro da congregação a respeito de assuntos relacionados à posição social e autoridade (3.1,2; 4.1,11 12).
II - O PROPÓSITO DA EPÍSTOLA DE TIAGO
1. Orientar. Tiago observa que a fé precisa crescer juntamente com as estaturas física do cristão. Não é possível que uma fé cresça sem que ela seja alimentada ao longo da vida pois, ao contrário, vai ficando subnutrida e raquítica com o mínimo de alimento que lhe é oferecida, ou até, chega a desfalecer no coração. Por isso esta carta traz verdadeiras orientações espirituais a fim de que os cristãos primitivos possam crescer a cada dia. Da mesma forma que, para chegar a uma faculdade é preciso cursar o Ensino Fundamental e Médio, a fim de que tenhamos conhecimentos básicos para acompanhar um curso superior, assim também acontecia com a vida daqueles cristãos, eles precisavam de ensinos básicos sobre o cristianismo e aprofundamento da fé, como veremos nas lições seguintes.
2. Consolar. A palavra "consolar", aqui, (gr. paraklesis), significa colocar-se ao lado de uma pessoa, encorajando-a e ajudando-a em tempos de aflição. Tiago aqui desempenha esse papel, pois Ele envia esta epístola trazendo-lhes palavras de consolo. O apóstolo aprendeu, nas suas muitas aflições, que nenhum sofrimento, por severo que seja, poderá separar o crente dos cuidados e da compaixão do seu Pai celeste. DEUS, às vezes, permite que haja aflições em nossa vida, a fim de que, tendo experimentado seu consolo, possamos também consolar outros nas suas aflições. Nosso sofrimento não é primeiramente motivado por desobediência, mas constantemente causado por Satanás, pelo mundo e pelos falsos crentes, à medida que participamos da causa de CRISTO.
No Salmo 119.143, Davi nos ensina que a palavra de Deus sempre é mais forte que a angústia: "Sobre mim vieram tribulação e angústia, todavia os teus mandamentos são o meu prazer". A angústia está presente, mas a alegria na palavra de Deus é maior. Uma outra tradução diz: "Tribulação e angústia me atingiram, mas os teus mandamentos são o meu prazer"(NVI). O poder de Deus também sempre é maior do que a angústia: "Se ando em meio à tribulação, tu me refazes a vida; estendes a mão contra a ira dos meus inimigos, e a tua destra me salva" (Sl 138.7 ARA). No Novo Testamento, Paulo confirma essa gloriosa verdade: "Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?... Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor!" (Rm 8.35; 38-39).
3. Fortalecer. Nos tempos do Império Romano, o culto aos deuses pagãos e ao imperador fazia parte da vida de todo o mundo. Dois problemas surgiam disto. Primeiro, porque eles não participavam dos rituais pagãos, mas tendiam a se isolar, os cristãos eram considerados anti-sociais. Quando a polícia imperial interessou-se por eles, eles se tornaram mais reservados, o que acrescentou ainda mais combustível à fogueira. Eles foram associados aos collegia – clubes ou sociedades secretas – e os líderes suspeitavam desses grupos, devido à ameaça de sedição. Em segundo lugar, visto como os cristãos não queriam participar das atividades religiosas que, conforme se acreditava, aplacavam os deuses, eles tornaram-se uma ameaça à própria felicidade da comunidade. Diante de tudo isso as perseguições começaram a surgir.
Uma das partes mais difíceis da vida cristã é o fato de que se tornar um discípulo de Cristo não nos torna imunes a provações e tribulações da vida. As provações e tribulações que Ele permite em nossas vidas fazem parte de tudo que coopera para o nosso bem. Portanto, para o crente, todas as provações e tribulações devem ter um propósito divino. O apóstolo escrevia a sua epístola também com o propósito de conscientizá-los desta verdade afim de que eles tenham a sua fé fortalecida.
III - ATUALIDADE DA EPÍSTOLA
1. Num tempo de superficialidade espiritual. Parece que Tiago via a assustadora superficialidade espiritual do chamado povo de Deus em relação ao que está acontecendo no meio da Igreja Evangélica dos dias atuais. Num passado não muito distante, o crente era conhecido pelo seu vocabulário, pela forma de se vestir e pela sua postura ética. Hoje o que vemos é um grande número de pessoas dizendo-se cristãs, mas vivendo sem nenhum compromisso com Deus, interessadas apenas em seu bem estar, correndo atrás da prosperidade, não para abençoar outros irmãos, mas porque estão pensando apenas em si mesmas.
Escândalos após escândalos relacionados a dinheiro e sua gestão no ambiente da chamada “fé” aumenta o buraco da indiferença, do cinismo, da mornidão espiritual, do deboche, do escárnio, da irreverência da falta de amor, da omissão e muitas vezes traz a morte da esperança.
A Igreja atual está cheia de um povo sem fidelidade a Deus, um povo sem Bíblia, sem compromisso com a verdade. O que muitos levam para a igreja é uma sacola contendo garrafa de água ou roupa de alguém para “benzer”. Consequentemente a igreja formada por este tipo de pessoas torna-se uma instituição sem doutrina, sem raízes, caracterizada pela rotatividade dos membros. A porta dos fundos acaba sendo maior que a da frente.
Infelizmente o que vemos são pessoas que sequer são religiosas, mas possuem uma ética comportamental melhor que a de muitos cristãos. O que vemos são empresários cristãos, dignos, evitando contratar seus “irmãos em Cristo”, em razão do mau testemunho que apresentam.
Jesus disse que o joio cresceria no meio do trigo. Tem joio demais na igreja de hoje. A liderança precisa tomar uma posição, voltar a refletir o temor de Deus. A liderança precisa voltar a profetizar “assim diz o Senhor” e não o que temos ouvido de muitos, “assim dizem os senhores”, grandes dizimistas ou detentores de algum tipo de poder natural.
Boa parte da liderança e crentes de hoje, estão trocando seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas. São os vendilhões do templo, trocam o eterno pelo passageiro. A igreja está adoecida, em razão de sua própria promiscuidade e superficialidade espiritual.
Precisamos devolver o lugar da Bíblia na Igreja. Mas Bíblia pura, precisamos voltar à Palavra, precisamos de líderes que tenham coragem de dizer: isto é pecado! A Igreja precisa ser uma igreja pura, que reflita o amor de Deus. Formada por verdadeiros redimidos, por gente comprometida com Deus, que ama mais a Cristo que a própria vida e não mais a própria vida que Cristo.
2. Num tempo de confusão entre “salvação pela fé” ou “salvação pelas obras”. As escrituras ensinam claramente que somos salvos (justificados) pela fé em Cristo e o que Ele fez na cruz. Somente essa fé nos salva. Porém, não podemos parar aqui sem averiguar o que Tiago diz em Tiago 2.24, "Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé."
Tiago começa essa parte usando um exemplo de alguém que diz ter fé, mas não tem obras. "Que proveito há, meus irmãos se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura essa fé pode salvá-lo?" (Tiago 2.14 AR). Em outras palavras, Tiago está tratando de uma fé morta, uma fé que não é nada mais do que um pronunciamento verbal, uma confissão pública vinda da mente, que não vem do coração. É vazia, sem vida e sem ação. Ele começa com essa negação, e demonstra o que uma fé vazia significa (versículos 15-17, palavras sem ações).
Em suma, Tiago está examinando dois tipos de fé: uma que leva a obras de Deus, e uma que não leva. Uma é verdadeira, outra é falsa. Uma é morta, outra é viva; daí "a fé sem as obras é estéril" (Tiago 2.20 AR). Porém, ele não está contradizendo os versículos acima que dizem que salvação e justificação são alcançadas somente pela fé.
Além disso, note que Tiago cita o mesmo versículo que Paulo cita em Rm 4.3 juntamente com vários outros versículos que lidam com justificação pela fé. Tiago 2.23 diz, "E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus". Se Tiago estivesse tentando ensinar uma doutrina sobre fé e obras que estivesse em contradição com os outros escritores do Novo Testamento, ele não teria usado Abraão como exemplo. Logo, podemos ver que justificação é somente pela fé, e que Tiago estava falando a respeito de uma fé falsa, e não de uma fé verdadeira, quando ele diz que não somos justificados somente pela fé.
3. Uma fé posta em prática. A mensagem de Tiago é direta , objetiva e acima de tudo prática. Diferente das epístolas de Paulo, Pedro e João, a carta de Tiago não inclui saudações pessoais. As exortações começam no segundo versículo e continuam até o último.
Os temas abordados nos cinco capítulos de Tiago são diversos, todos focando a importância de viver a prática da fé:
Capítulo 1 enfatiza as atitudes certas diante de provações e tentações e chama os leitores a serem praticantes, e não apenas ouvintes, da palavra do Senhor.
Capítulo 2 aborda dois assuntos: (1) a condenação de preconceitos socioeconômicos na igreja e (2) a necessidade de obras que demonstram a autenticidade da fé.
Capítulo 3 apresenta uma das advertências mais fortes do Novo Testamento sobre o uso errado da língua e nos chama a buscar a sabedoria divina.
Capítulo 4 condena várias atitudes carnais que atrapalham o serviço a Deus.
Capítulo 5 encerra a epístola com várias instruções que exigem uma perspectiva eterna e espiritual, e não materialista e carnal.
Encontramos em Tiago instruções simples, diretas e valiosas. Tratando das provações, ele disse: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações: Sabendo que a prova da vossa fé obra a paciência.” (Tiago 1:2-3). Sobre a obediência à palavra de Deus, Tiago escreveu: “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.” (Tiago 1.22). E para combater a noção de salvação pela fé sem a obediência, acrescentou: “Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé...Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.” (Tiago 2.24,26).
Tiago mostrou sua preocupação com o perigo de alguém abandonar a fé em Cristo, e encerrou a carta com orientações sobre o resgate dos desviados: “Irmãos, se algum de entre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados.” (Tiago 5.19-20).
Do começo ao fim, o livro de Tiago apresenta instruções práticas que podem e devem ser aplicadas em nossas vidas a cada dia.
CONCLUSÃO
Para a fé funcionar, devemos deixar Deus obrar a sua verdade dentro de nós! Não é o suficiente saber o que o Senhor diz e concordar com Ele. Um campo inculto é aquele em que não há lavoura, nem plantio, ou colheita, e Deus não deixa que Seus campos permaneçam vazios.
Fé em ação é um como a terra que está sendo lavrada, plantada e colhida pela Palavra e pelo Espírito de Deus. Para a fé funcionar, devemos estar dispostos a entrar em ação. Deus tem uma grande colheita, mas poucos trabalhadores. O Senhor da seara está à procura de pessoas que estão dispostas a testar a sua fé por sair para o campo e trabalhar com Ele. E não nos esqueçamos: A religião pura e imaculada é a fé que se mostra através de nossas práticas e obras, pois fé é um encontro com Jesus Cristo, com Deus, e dali nasce e leva ao testemunho. É isso que o Apóstolo quer dizer: uma fé sem obras, que não envolva, que não leve ao testemunho, não é fé. São palavras e nada mais que palavras.

